terça-feira, 22 de março de 2011
QUESTÃO DE FILOSOFIA DA SEMANA
Assinale a alternativa correta sobre o termo política:
a) comum é relacionar poder e dinheiro e na ciência é idealizar o impossível.
b) uso generalizado refere-se à toda manifestação das eleições não vai além disso e específico à governo e Estado, o primeiro programas e projetos e o segundo instituição.
c) a conduta duvidosa dos políticos e cientificamente a arte de enganar.
d) o senso comum que entende política como processo eleitoral, diz que política é um "mal necessário" e que não existe ciência nisso.
e) no uso geral concerne à vida em sociedade e no científico ao governo (programas e projetos) ao Estado (conjunto de instituições permanente que permitem a ação do governo).
resp.: e
quinta-feira, 17 de março de 2011
A DANÇA DE BAUBÔ
Texto de J.C. Marçal - http://arsdiluvianfilosoficos.blogspot.com/
A introdução da Gaia Ciência de Nietzsche é, sem dúvida alguma, uma das mais maravilhosas, originais, instigantes e profundas – senão a maior – de todas as introduções já elaboradas pelas letras humanas até agora. Para bem da verdade, depois desta introdução, qualquer outra passou a soar demasiadamente desnecessária, canhestra e sem o alcance, sem a violência necessária a toda e qualquer introdução. E tudo isso apenas em umas poucas páginas: nada demais, apenas uma simples introdução.
Mas é aí que reside o poder da escrita e do pensamento de Nietzsche: sua síntese é o alcance maior do pensamento enquanto descoberta do seu lugar próprio. O enigma e o mistério inerentes da Natureza são respeitados, descansam no Olimpo particular da perenidade e do devir, tomados com carinho pelo filósofo que contempla do alto da montanha mais alta a planície deslumbrante do abismo que se espraia indefinidamente à sua frente. É uma mulher que esconde sua natureza e suas razões. Aqui, exclama e vaticina Nietzsche, só há um termo: “Talvez o seu nome, para empregar o grego, seja Baubô!... Ah, esses Gregos! Como sabiam do viver!”.
Eis o vento que dissipa a neve, e tudo é petulância, é guerra, escárnio próprio dos fortes, o som retumbante dos tambores de Zéfiro. Estamos, nós todos, muito acostumados com meias palavras, com aquele sentido já esperado, com a palavra morta, esqueletos e esqueletos arrojados pela intempérie e pela preguiça. Em Nietzsche, tudo é muito vivo, muito próximo, muito filosófico às avessas, tudo pulsa e grita exigindo seu lugar... e aí temos a dubiedade, a ambigüidade natural de todo pensamento, mas que jamais vacila, que não se permite – um segundo que seja – duvidar de si mesmo.
E assim, tomados que estamos pela dança furiosa de Baubô, iremos iniciar nosso discurso com uma ira toda sua, com uma profundidade toda sua e, o que talvez seja o mais importante, com uma serenidade que lhe é peculiar por ser ancestral... e nada mais ancestral do que a força! A Filosofia, restringindo-se a uma necessidade absurda de tornar-se ciência [e aqui devemos entender a ciência no seu alcance menor, ou seja, a cientificidade da prova, aquilo que é palpável por todos, logo a essência da plebe, do rústico e do comum; um discurso que diz, constrói e alimenta coisas úteis, é bem verdade, mas que não é em hipótese alguma universal em seu apelo primordial de referência geral] elaborou um mundo paralelo que deveria ser, de fato, um instrumento para seus vôos maiores.
Mas que tristeza terrível se apossou do espírito dos filósofos: sentiram-se atraídos imensamente pelo poder gravitacional do método que eles mesmos erigiram e se esqueceram que toda filosofia deve ser alimentada com sangue e que toda linguagem – por maior que seja o alcance de seu significante ou o poder de seu significado (mesmo no seio de toda relação possível)- nada mais é do que um solo e não a casa, o pátio e o alicerce de toda construção. O sangue é o alimento da vida, aquilo que mantém o esqueleto em pé e que traz para a Filosofia o que sempre lhe foi mais próprio: a experiência. Entretanto, domados docilmente por seus métodos e crenças, não há mais lugar na Filosofia para a experiência: o indivíduo deve se justificar a todo tempo perante o universal.
O particular de todo discurso só é levado a sério se sua funcionalidade final tiver como objetivo o universal. Não importa mais o que os homens realmente vivem, nem mesmo o que sente – palavra horrível para todo filósofo – já que tudo é posto num mosaico pré-fabricado em que tudo já deve estar previamente modelado, esperado, mensurado e reconhecido. Mas, dirá o leitor mais atento, não era exatamente o enigma, o mistério que tomavam parte na dança de Baubô? Eis a razão dos mitos, dos deuses, daquilo que nos mantém vivos: o desconhecido. Este funciona como o ir, o querer sempre do espírito e isso é a vida! A Filosofia, então e de modo muito costumeiro, torna-se um pensamento de mortos. Prove o que você está falando! Argumente! Como seria possível provar a existência da dor para alguém que jamais a vivenciou?
Deveríamos dizer: é assim e tal fato ocorre sobre tais condições. Aqui teríamos sempre que ter um número limitado de condições. Mais ai, espírito meu, que não te conformas com o finito e tendes vistas apenas para o mar infinito do universo! Como provar aquilo que ninguém tem ouvidos para ouvir, que nenhum lábio beijou, que nenhuma vista alcançou? Nunca senti saudades, diz o eremita. E isso já é uma mentira, posto que não podemos colocar como inalcançável aquilo que nomeamos. Se um espírito qualquer jamais houvesse experimentado a saudade – e toda possibilidade é o acaso do real – como lhe dizer o quê fundamental da saudade?
Os filósofos de hoje diriam que devemos perder muito tempo desvelando os meandros sutis da linguagem para que possamos emitir qualquer juízo verdadeiro. Verdade, ó doce palavra jamais encontrada: tudo flui no esforço único do ser em existir. E perderíamos uma vida, duas, três... tentando descobrir a verdade da linguagem, o seu alicerce, o seu fundamento que nada mais é do que o próprio ser, e o mesmo é o pensar. Pensar e ser, a existência que consome o mundo no seu presente que é devir. Melhor dizendo: ser, não-ser e devir, eis a tríade daquilo que é - mas será que eles se encontram? Será que há uma comunhão, uma identidade ou apenas o impuro, o diferente, o vivente opera aqui? Mesmo assim, tendo elaborado aqui uma verdade apenas nossa, não somos tão vaidosos a ponto de tê-la como o término ou o princípio de seja lá o que for. Ela é verdade para mim e aqui apenas a vivência me basta como prova.
O mundo se adequa sempre ao meu eu, sou eu quem o pensa – o hiato da distância é o hiato mesmo da falta da dança de Baubô! Mesmo na epoquê fenomenológica, onde a suspensão de tudo aquilo que me vem pelo mundo me conduz ao meu próprio reino – a origem, o Grund -, nada mais é do que uma variante daquele reino silencioso em que o ser do homem dormita em ação e potência eternas. Potência!, que palavra tão bela: poder, conhecer e agir.
Nos movimentos portentosos da dança de Baubô devemos sempre nos perguntar: estaremos prontos? É o momento, pois a todo instante a morte [a durée do tempo que revela o caráter finito do infinito] nos incumbe de realizarmos a potência em toda a sua dimensão original, em seu alcance único de fazer nos lembrar que nunca temos tempo. Daí o significado da sua dança: o eterno retorno do Mesmo como a realização da potência da vida. Eterno retorno que traduz um mito.
Assim como o mito do soldado Er no último livro da República de Platão, assim Nietzsche elabora um mito todo seu. Não se trata, assim penso, de acabar com a supremacia da subjetividade, realidade cosmológica ou um novo imperativo categórico. No mito, o que é mais interessante, é que só escutamos aquilo que queremos ouvir. A verdade, então, é uma criação nossa. Somos deuses e Baubô dança. A dança da potência da vida - a verdadeira arte da intensidade!
A introdução da Gaia Ciência de Nietzsche é, sem dúvida alguma, uma das mais maravilhosas, originais, instigantes e profundas – senão a maior – de todas as introduções já elaboradas pelas letras humanas até agora. Para bem da verdade, depois desta introdução, qualquer outra passou a soar demasiadamente desnecessária, canhestra e sem o alcance, sem a violência necessária a toda e qualquer introdução. E tudo isso apenas em umas poucas páginas: nada demais, apenas uma simples introdução.
Mas é aí que reside o poder da escrita e do pensamento de Nietzsche: sua síntese é o alcance maior do pensamento enquanto descoberta do seu lugar próprio. O enigma e o mistério inerentes da Natureza são respeitados, descansam no Olimpo particular da perenidade e do devir, tomados com carinho pelo filósofo que contempla do alto da montanha mais alta a planície deslumbrante do abismo que se espraia indefinidamente à sua frente. É uma mulher que esconde sua natureza e suas razões. Aqui, exclama e vaticina Nietzsche, só há um termo: “Talvez o seu nome, para empregar o grego, seja Baubô!... Ah, esses Gregos! Como sabiam do viver!”.
Eis o vento que dissipa a neve, e tudo é petulância, é guerra, escárnio próprio dos fortes, o som retumbante dos tambores de Zéfiro. Estamos, nós todos, muito acostumados com meias palavras, com aquele sentido já esperado, com a palavra morta, esqueletos e esqueletos arrojados pela intempérie e pela preguiça. Em Nietzsche, tudo é muito vivo, muito próximo, muito filosófico às avessas, tudo pulsa e grita exigindo seu lugar... e aí temos a dubiedade, a ambigüidade natural de todo pensamento, mas que jamais vacila, que não se permite – um segundo que seja – duvidar de si mesmo.
E assim, tomados que estamos pela dança furiosa de Baubô, iremos iniciar nosso discurso com uma ira toda sua, com uma profundidade toda sua e, o que talvez seja o mais importante, com uma serenidade que lhe é peculiar por ser ancestral... e nada mais ancestral do que a força! A Filosofia, restringindo-se a uma necessidade absurda de tornar-se ciência [e aqui devemos entender a ciência no seu alcance menor, ou seja, a cientificidade da prova, aquilo que é palpável por todos, logo a essência da plebe, do rústico e do comum; um discurso que diz, constrói e alimenta coisas úteis, é bem verdade, mas que não é em hipótese alguma universal em seu apelo primordial de referência geral] elaborou um mundo paralelo que deveria ser, de fato, um instrumento para seus vôos maiores.
Mas que tristeza terrível se apossou do espírito dos filósofos: sentiram-se atraídos imensamente pelo poder gravitacional do método que eles mesmos erigiram e se esqueceram que toda filosofia deve ser alimentada com sangue e que toda linguagem – por maior que seja o alcance de seu significante ou o poder de seu significado (mesmo no seio de toda relação possível)- nada mais é do que um solo e não a casa, o pátio e o alicerce de toda construção. O sangue é o alimento da vida, aquilo que mantém o esqueleto em pé e que traz para a Filosofia o que sempre lhe foi mais próprio: a experiência. Entretanto, domados docilmente por seus métodos e crenças, não há mais lugar na Filosofia para a experiência: o indivíduo deve se justificar a todo tempo perante o universal.
O particular de todo discurso só é levado a sério se sua funcionalidade final tiver como objetivo o universal. Não importa mais o que os homens realmente vivem, nem mesmo o que sente – palavra horrível para todo filósofo – já que tudo é posto num mosaico pré-fabricado em que tudo já deve estar previamente modelado, esperado, mensurado e reconhecido. Mas, dirá o leitor mais atento, não era exatamente o enigma, o mistério que tomavam parte na dança de Baubô? Eis a razão dos mitos, dos deuses, daquilo que nos mantém vivos: o desconhecido. Este funciona como o ir, o querer sempre do espírito e isso é a vida! A Filosofia, então e de modo muito costumeiro, torna-se um pensamento de mortos. Prove o que você está falando! Argumente! Como seria possível provar a existência da dor para alguém que jamais a vivenciou?
Deveríamos dizer: é assim e tal fato ocorre sobre tais condições. Aqui teríamos sempre que ter um número limitado de condições. Mais ai, espírito meu, que não te conformas com o finito e tendes vistas apenas para o mar infinito do universo! Como provar aquilo que ninguém tem ouvidos para ouvir, que nenhum lábio beijou, que nenhuma vista alcançou? Nunca senti saudades, diz o eremita. E isso já é uma mentira, posto que não podemos colocar como inalcançável aquilo que nomeamos. Se um espírito qualquer jamais houvesse experimentado a saudade – e toda possibilidade é o acaso do real – como lhe dizer o quê fundamental da saudade?
Os filósofos de hoje diriam que devemos perder muito tempo desvelando os meandros sutis da linguagem para que possamos emitir qualquer juízo verdadeiro. Verdade, ó doce palavra jamais encontrada: tudo flui no esforço único do ser em existir. E perderíamos uma vida, duas, três... tentando descobrir a verdade da linguagem, o seu alicerce, o seu fundamento que nada mais é do que o próprio ser, e o mesmo é o pensar. Pensar e ser, a existência que consome o mundo no seu presente que é devir. Melhor dizendo: ser, não-ser e devir, eis a tríade daquilo que é - mas será que eles se encontram? Será que há uma comunhão, uma identidade ou apenas o impuro, o diferente, o vivente opera aqui? Mesmo assim, tendo elaborado aqui uma verdade apenas nossa, não somos tão vaidosos a ponto de tê-la como o término ou o princípio de seja lá o que for. Ela é verdade para mim e aqui apenas a vivência me basta como prova.
O mundo se adequa sempre ao meu eu, sou eu quem o pensa – o hiato da distância é o hiato mesmo da falta da dança de Baubô! Mesmo na epoquê fenomenológica, onde a suspensão de tudo aquilo que me vem pelo mundo me conduz ao meu próprio reino – a origem, o Grund -, nada mais é do que uma variante daquele reino silencioso em que o ser do homem dormita em ação e potência eternas. Potência!, que palavra tão bela: poder, conhecer e agir.
Nos movimentos portentosos da dança de Baubô devemos sempre nos perguntar: estaremos prontos? É o momento, pois a todo instante a morte [a durée do tempo que revela o caráter finito do infinito] nos incumbe de realizarmos a potência em toda a sua dimensão original, em seu alcance único de fazer nos lembrar que nunca temos tempo. Daí o significado da sua dança: o eterno retorno do Mesmo como a realização da potência da vida. Eterno retorno que traduz um mito.
Assim como o mito do soldado Er no último livro da República de Platão, assim Nietzsche elabora um mito todo seu. Não se trata, assim penso, de acabar com a supremacia da subjetividade, realidade cosmológica ou um novo imperativo categórico. No mito, o que é mais interessante, é que só escutamos aquilo que queremos ouvir. A verdade, então, é uma criação nossa. Somos deuses e Baubô dança. A dança da potência da vida - a verdadeira arte da intensidade!
segunda-feira, 14 de março de 2011
Conversa com o filho de C. S. Lewis
C. S. Lewis é um daqueles nomes que dispensam apresentações. Um dos mais celebrados escritores cristãos de todos os tempos, Lewis se tornou conhecido mundialmente através de sua coleção de livros infanto-juvenis “As Crônicas de Narnia”.
C. S. Lewis, de origem irlandesa, foi um renomado professor da Universidade de Oxford que de ateu, se converteu ao cristianismo a partir de sua amizade com o igualmente famoso escritor J. R. R. Tolkien, da série “O Senhor dos Anéis”. Depois de sua conversão, Lewis se dedicou a divulgar sua fé através de livros e ensaios, e em particular os livros infanto-juvenis que tanta fama lhe trouxeram.
Lewis foi um solteirão convicto durante a maior parte de sua vida, mas quando estava com quase 60 anos casou-se com Joy Gresham, uma americana judia, que havia sido casada previamente com o escritor Americano William Gresham. O romance tardio de Lewis e Joy é uma historia belíssima e pode ser visto no filme “Shadowlands” (1993) com Anthony Hopkins e Debra Winger. Joy Gresham tinha dois filhos quando conheceu C. S. Lewis, com que se correspondeu por vários anos antes de conhecer pessoalmente. Após a morte de Joy, apenas 4 anos após o casamento por conta de um câncer, Lewis adotou os dois garotos e deixou para eles toda a sua herança e direitos autorais. Um deles, Douglas Gresham, se tornou também um escritor e produtor cinematográfico, inclusive ajudando a produzir os filmes da serie “Narnia”. Douglas esteve essa semana aqui na Liberty University e passou alguns dias falando para os alunos e fazendo palestras para os grupos de teatro da universidade. Na quarta-feira, os professores tiveram um encontro bem agradável e informal com Douglas onde ele respondeu perguntas sobre se pai adotivo, a amizade com Tolkien e os recentes filmes baseados na obra de Lewis.
Douglas, que na verdade é americano, mas foi criado na Inglaterra e depois morou vários anos na Austrália, chegou vestindo uma roupa de cavaleiro, com botas cano longo e uma cruz enorme pendurada no pescoço. Parecia quase que um dos personagens dos livros de C. S. Lewis. E na verdade até agora não entendi direito a razão de sua indumentária. Mas, após o choque inicial , notamos que a conversa iria fluir tranquila e informal. Douglas é bastante animado e divertidíssimo. Por ter morado em tantos lugares diferentes, ficava às vezes difícil para mim, entender seu sotaque; por isso acho que perdi algumas de suas “tiradas” engraçadas, mas o público em geral riu bastante o tempo todo e participou animadamente das perguntas e respostas.
Douglas falou sobre sua relação com C. S. Lewis e fez questão de deixar claro sua admiração e amor pelo pai adotivo. Lewis ao contrário da caracterização de Hopkins no filme “Shadowlands”, era bastante brincalhão e afável. Douglas lembrou com muito carinho dos mementos que passou com ele e lembrou de vários episódios engraçados, mostrando que Lewis era bem mais aberto e divertido do que se imagina. Sobre a amizade de Lewis e Tolkien, Douglas disse que os dois passavam muito tempo em conversas e debates . Por isso, ficaria difícil fazer um filme sobre o relacionamento dos dois, algo que já foi considerado no passado. Também comentou que Tolkien ficou meio decepcionado quando Lewis , depois de sua conversão, se tornou um protestante e não um católico, como Tolkien queria.
Perguntado sobre se ficou satisfeito com o resultado dos filmes da serie “As Crônicas de Narnia”, ele disse que certamente existem alguns problemas, mas que a mensagem principal se manteve preservada em sua maior parte. Douglas falou um pouco sobre a produção mais recente e disse ter ficado bastante satisfeito com o resultado, particularmente com o final. Ao ser questionado sobre produções evangélicas, Douglas disse algo bem interessante. Em suas palavras, afirmou que quem assiste a filmes evangélicos é quase que exclusivamente o próprio público evangélico; algo como chover no molhado. O que os produtores evangélicos deveriam fazer é produzir bons filmes, de qualidade elevada e sem ter necessariamente uma temática evangelística. Segundo ele, essa seria uma forma mais efetiva de influenciar tanto o meio artístico quanto o publico em geral.
Diante de uma pergunta sobre o uso de magia e mitologia nos livros de C. S. Lewis, Douglas falou que não há nada o que temer sobre magia; nunca na historia da humanidade alguma catástrofe foi associada diretamente à magia. Em contrapartida, deveriamos ter medo é da ciência, já que a mesma é responsável pelas maiores atrocidades cometidas pelo homem.
Foi certamente uma honra ter recebido alguém que conviveu tão intimamente com C. S. Lewis; Douglas ainda hoje cuida com grande carinho do legado de seu pai adotivo e acompanha de perto todas as produções envolvendo sua obra. Durante seu tempo na Liberty University, ele fez questão de interagir diretamente com os alunos e compartilhar sua experiência pessoal de forma generosa e aberta. Só não entendi mesmo aquele negócio de sair andando de botas de cavaleiro pra cima e pra baixo.
Um abraço,
Leon Neto
CHEQUE & MATE
...Alviano - E que fábrica é necessário que tenha um desses engenhos que costumam fazer muito açúcar?
Brandônio - É necessário que tenha 50 pe¬ças de escravos de serviços bons; 15 ou 20 juntas de bois, com seus carros necessári¬os, aparelhados; cobres bastantes e bem concertados; oficiais bons, muita lenha, for-nalha e decoada, porque qualquer cousa que falte destas, logo imediatamente se diminuiu com ela o rendimento do açúcar...
O trecho acima, retirado dos Diálogos das Grandezas do Brasil”, livro escrito no início do século XVII, é bastante esclarecedor so-bre a produção açucareira. Indique a alter-nativa que, de acordo com o diálogo, é ver-dadeira:
a) a atividade açucareira utilizava exclusivamente mão-de-obra escrava.
b) a tecnologia utilizada na produção do açúcar era simples e, portanto, acessível a peque¬nos e médios produtores.
c) a produção de açúcar constituía uma ativi-dade bastante complexa para a época.
d) a estrutura tecnológica para a produção do açúcar, por suas características, condicionou a estrutura fundiária do Brasil.
e) a atividade açucareira não se subordinava à metrópole, uma vez que o Brasil dispunha de todos os recursos.
resp.: d
domingo, 13 de março de 2011
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA.
A geografia, como toda ciência, têm tido uma enorme evolução neste século. Os livros didáticos, quase sempre não conseguem acompanhar o ritmo das novas descobertas e são freguentemente postos de lado com maior rapidez. Um dessas evoluções é o estudo do Desenvolvimento Sustentável, que têm movimentado a produção de textos acadêmicos, tanto no exterior como no Brasil.
Mesmo com essa evolução no estudo, o Desenvolvimento Sustentável ainda é um campo de estudo pouco explorado, ainda não se esgotou o tema e a própria mecânica da desenvolvimento humano faz alimentar esta temática. Perguntas como : Quais os caminhos para viabilizar um projeto de desenvolvimento sustentável ? ; Como equacionar as necessidades dos diversos agentes envolvidos ? ; A quem interessa esse desenvolvimento sustentável ?; são indagações pertinentes ao estudo do desenvolvimento sustentável.
As respostas a essas perguntas só serão respondidas com muita pesquisa e produção de textos científicos.
Nessas últimas décadas temos visto o surgimento de várias organizações-não-governamentais preocupadas com o meio ambiente e o seu desenvolvimento sustentável. Observamos também que o tema é utilizado pelos políticos, com uma certa freguência, como produto de retórica falsa. Muito se têm debatido, sobre o desenvolvimento sustentável no campo político sem ao menos saber com exatidão acadêmica o que é desenvolvimento sustentável. A definição de uso racional dos recursos naturais se volta para a própria concepção da privilegiada espécie humana, portanto, é falso o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento econômico; como querem os políticos comprometidos com os lobbistas .
A partir de 1987 vários grupos de ecologistas começaram a financiar projetos de conservação em troca de títulos da dívida dessas nações, permitindo que locais até então ameaçados de devastação fossem conservados. Os ecologistas não pertenciam a uma ideologia definida, abargava tanto neoliberais, como marxistas convictos. A busca de um ideal de desenvolvimento sustentável transcendia a esfera política de organização, a luta por um meio ambiente era mais forte do que definições políticas. Os temas divergentes entre os ecologistas se referiam basicamente as destinos dos resultados do crescimento e os parâmetros avaliativos.
A década de 90 vai com certeza ser relembrada como aquela onde o desenvolvimento sustentável, como sinônimo de um novo paradigma de produção, emergiu com força total, a nível internacional e a nível nacional com o advento da conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92.
A Rio-92 também trouxe ou confirmou outros conceitos, entre eles o de que o desenvolvimento não se dá paralelamente uniforme em todo o planeta, pois cada área geopolítica adquire uma intensidade de investimento de acordo com os interesses capitalistas de momento . O desenvolvimento sustentável deve ser então entendido como um modelo de desenvolvimento agrícola onde as formas de produção e organização social conduz à manutenção e ao aumento da fertilidade do solo, a preservação dos outros recursos naturais e à permanência e estabilidade de valores culturais das populações rurais, mas conduzido pelos
tentáculos do capitalismo selvagem ( se é que a palavra selvagem aqui não esteja impregnada de etnocentrismo )
Diante do quadro exposto anteriomente, verifica-se uma pressão dos países desenvolvidos, sobre os subdesenvolvidos no que concerne ao modelo de desenvolvimento. O México, Argentina e Brasil ( exemplos maiores da busca de desenvolvimento ) se vêem acuados diante da escolha de modelos de desenvolvimentos: de uma lado o desenvolvimento quantitativo, defendido pelos organismos econômicos internacionais, como o FMI, que apregoam o desenvolvimento do país privilegiando a poupança em detrimento das condições de vida da população; do outro lado desenvolvimento qualitativo que busca no equilíbrio entre crescimento econômico e garantia de qualidade de vida da população o meio perfeito de atingir o desenvolvimento sustentável.
Outra preocupação aflora : Crescer e Desenvolver-se são a mesma coisa ? Claro que não, desenvolver-se pressupôem uma busca sistemática e nada fácil entre os países terceiro-mundiastas.
sábado, 12 de março de 2011
QUESTÃO DE SOCIOLOGIA DA SEMANA
A fábrica global instala-se além de toda e qualquer fronteira, articulando capital, tecnologia, força de trabalho, divisão do trabalho social e outras forças produtivas. Acompanhada pela publicidade, a mídia impressa e eletrônica, a indústria cultural, misturadas em jornais, revistas, livros, programas de rádio, emissões de televisão, videoclipes, fax, redes de computadores e outros meios de comunicação, informação e fabulação, dissolve fronteiras, agiliza os mercados, generaliza o consumismo. Provoca a desterritorialização e reterritorialização das coisas, gentes e ideias. Promove o redimensionamento de espaços e tempos.
(Octavio Ianni, Teorias da Globalização, 2002.)
Partindo da metáfora de fábrica global de Octavio Ianni, pode-se identificar como características da globalização
a) o amplo fluxo de riquezas, de imagens, de poder, bem como as novas tecnologias de informação que estão integrando o mundo em redes globais, em que o Estado também exerce importante papel na relação entre tecnologia e sociedade.
b) a imposição de regras pelos países da Europa e América do Sul nas relações comerciais e globais que oprimem os mais pobres do mundo e se preocupam muito mais com a expansão das relações de mercado do que com a democracia.
c) a busca das identidades nacionais como única fonte de significado em um período histórico caracterizado por uma ampla estruturação das organizações sociais, legitimação das instituições e aparecimento de movimentos políticos e expressões culturais.
d) o multiculturalismo e a interdependência que somente podemos compreender e mudar a partir de uma perspectiva singular que articule o isolamento cultural com o individualismo.
e) a existência de redes que impedem a dependência dos polos econômicos e culturais no novo mosaico global contemporâneo.
resp.: a
domingo, 6 de março de 2011
HOJE, 06 DE MARÇO: REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817
A permanência da família real no Brasil, de interesse dos proprietários de escravos e de terras, comerciantes e burocratas da região centro - sul, não satisfez aos habitantes das demais regiões do país, fossem eles proprietários rurais, governadores ou funcionários. O primeiro grupo tinha consciência de que os favores e privilégios concedidos pelo monarca português eram os responsáveis pelo seu enriquecimento; o segundo vivia, desde a instalação da Corte no Rio de Janeiro, uma situação paradoxal: afastado do poder, tinha, ao mesmo tempo, o ônus de sustentá-lo.
Outro grupo extremamente descontente com a política de favorecimento de D. João era composto pelos militares de origem brasileira. Para guarnecer as cidades e, também, ajudá-lo em suas ações contra Caiena e a região do Prata, D. João trouxe tropas de Portugal e com elas organizou as forças militares, reservando os melhores postos para a nobreza portuguesa. Com isso, o peso dos impostos aumentou ainda mais, pois agora a Colônia tinha que manter as despesas da Corte e os gastos das campanhas militares.
Como analisa a historiadora Maria Odila Silva Dias "a fim de custear as despesas de instalação de obras públicas e do funcionalismo, aumentaram os impostos sobre a exportação do açúcar, tabaco e couros, criando-se ainda uma série de outras tributações que afetavam diretamente as capitanias do Norte, que a Corte não hesitava em sobrecarregar com a violência dos recrutamentos e com as contribuições para cobrir as despesas da guerra no reino, na Guiana e no Prata. Para governadores e funcionários das várias capitanias parecia a mesma coisa dirigirem-se para Lisboa ou para o Rio."
Esse sentimento de insatisfação era particularmente forte na região nordestina, a mais antiga área de colonização do Brasil, afetada pela crise da produção açucareira e algodoeira e pela seca de 1816. Aí, o desejo de independência definitiva de Portugal era profundo. Em Recife, capital da província de Pernambuco e um dos principais portos da região, o descontentamento era enorme. O sentimento generalizado era de que os "portugueses da nova Lisboa" exploravam e oprimiam os "patriotas pernambucanos". Esses homens, descendentes da "nobreza da terra" do período colonial, formada pela elite canavieira de Olinda, que tinha participado da Guerra dos Mascates, consideravam justificado o crescente anti-lusitanismo na Província.
Francisco Muniz Tavares, uma destacada figura da sociedade pernambucana, assim se referia a D. João: "(...) Porquanto, que culpa tiveram estes (habitantes de Pernambuco) de que o Príncipe de Portugal sacudido de sua capital pelos ventos impetuosos de uma invasão inimiga, saindo faminto de entre os seus lusitanos, viesse achar abrigo no franco e generoso continente do Brasil, e matar a fome e a sede na altura de Pernambuco?"
As idéias liberais que entravam no Brasil junto com os viajantes estrangeiros e, também, por meio de livros e de outras publicações que chegavam, incentivavam o sentimento de revolta entre os pernambucanos. Também já haviam chegado, desde o fim do século XVIII, as sociedades secretas, como as lojas maçônicas. Em Pernambuco existiam muitas delas, como Patriotismo, Restauração, e Pernambuco do Oriente, que serviam como locais de discussão e difusão das "infames idéias francesas."
À medida que o calor das discussões e da revolta contra a opressão portuguesa aumentava, crescia, também, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos, ao ponto de passarem a usar nas missas a aguardente no lugar do vinho e a hóstia feita de trigo, como forma de marcar sua identidade. Pelas ruas de Recife se ouvia, aqui e ali, o seguinte verso:
"Quando a voz da pátria chama
tudo deve obedecer;
Por ela a morte é suave
Por ela cumpre morrer "
O Movimento
O governador da Província, temendo o agravamento da situação, mandou prender pessoas suspeitas de envolvimento com as lojas maçônicas, tentando, assim, controlar a situação. Entretanto, não foi bem sucedido, pois ocasionou a deflagração do movimento, no início de março de 1817. Os líderes da revolta prenderam o governador e instauraram um Governo Provisório, baseado em uma Lei Orgânica que proclamou a República, estabeleceu a igualdade de direitos, a tolerância religiosa, a liberdade de imprensa e de consciência, sem, no entanto, abordar a questão da escravidão.
A Lei Orgânica determinava, ainda: que se os estrangeiros estabelecidos na região dessem provas de adesão seriam considerados "patriotas"; a abolição dos tributos que oneravam os gêneros de primeira necessidade; e que o Governo Provisório duraria até a elaboração da Constituição do Estado por uma Assembléia Constituinte, a ser convocada dentro de um ano.
O movimento, denominado Revolução Pernambucana, abrangeu amplas camadas da população, como: militares, proprietários rurais, juizes, artesãos, comerciantes e um grande número de sacerdotes, a ponto de ficar também conhecido como a "revolução dos padres." A participação dos padres deve-se, especialmente, ao fato de serem, também, grandes proprietários rurais e, portanto, quererem proteger seus interesses. As camadas mais humildes também aderiram, por sentirem-se atingidas pelas medidas do Governo português, que ocasionaram o encarecimento dos gêneros alimentícios.
Os comerciantes portugueses de Recife, por sua vez, tentaram impedir o movimento, interessados na preservação do sistema colonial e de seus privilégios, oferecendo 500 mil francos aos membros do novo Governo para que desistissem da revolução.
O Governo Provisório, formado pela elite colonial, era composto pelo comerciante Domingos José Martins, o advogado José Luís de Mendonça, o capitão Domingos Teotônio Jorge, o padre João Ribeiro e o fazendeiro Manuel Correia de Araújo e pretendia ser o representante de todos os grupos. Mas essa abrangência não incluía os escravos, apesar de os líderes da revolução falarem o tempo todo sobre Liberdade. Para eles, Liberdade significava o fim do domínio português e a independência, senão da Colônia, pelo menos do Nordeste, isso porque o movimento se estendeu a outras províncias da região, atingindo Alagoas, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Não pretendiam acabar com a escravidão, mas como essa idéia passou a ser ventilada e os proprietários rurais ameaçaram tirar seu apoio ao movimento, o Governo Provisório lançou um manifesto negando tal intenção, onde se lia:
"Patriotas Pernambucanos! A suspeita tem se insinuado nos proprietários rurais: eles crêem que a benéfica tendência da presente liberal revolução tem por fim a emancipação indistinta dos homens de cor e escravos. (...) Patriotas, vossas propriedades, ainda as mais opugnantes ao ideal de justiça, serão sagradas; o Governo porá meios de diminuir o mal, não o fará cessar pela força. Crede na palavra do Governo, ela é inviolável, ela é santa."
Buscando romper com o passado de exploração e opressão, os patriotas pernambucanos quiseram, também, fazer uma revolução nos modos e maneiras de se relacionarem com as pessoas, pretendendo nelas incutir o sentimento de igualdade, ainda que restrito aos homens brancos. O comerciante francês Tollenare, que entre 1816 e 1818 esteve em Pernambuco, fez as seguintes observações a respeito dessa questão em seu livro " Notas Dominicais":
"(...) Em lugar de "Vossa mercê", diz-se "Vós", simplesmente; em lugar de Senhor é-se interpelado pela palavra Patriota, o que equivale a cidadão e ao tratamento de tu (...) As cruzes de Cristo e outras condecorações reais abandonam as botoeiras; fez-se desaparecer as armas e os retratos do rei."
Esses novos modos vão ser absorvidos, também, pelas camadas mais humildes da população, o que vai causar indignação entre os mais ricos, como mostra o historiador Ilmar Rohloff de Mattos: "Um português que vivia na cidade, Cardoso Machado, comentava indignado: "(...) até os barbeiros não me quiseram mais fazer a barba, respondiam que estavam ocupados no serviço da pátria, via-me obrigado a fazer a mim mesmo a barba (...)". Havia, também, entre essa elite, o medo de uma possível repetição da revolução de escravos ocorrida no Haiti, por conta da repercussão entre a população mais pobre das idéias liberais da revolução, como se pode perceber em outra fala atribuída a Cardoso Machado: " (...) Cabras, mulatos e crioulos andavam tão atrevidos que diziam éramos iguais e que haviam de casar, senão com brancas das melhores. Domingos José Martins andava de braço dado com eles, armados de bacamartes, pistolas e espada nua (...)"
A Luta e o Fim do Movimento
Procurando apoio ao seu movimento, os líderes revolucionários contataram, sem sucesso, os Estados Unidos, a Argentina e a Inglaterra. Junto a esta última tentaram obter, em vão, a adesão do jornalista Hipólito José da Costa, lá radicado. Quando a notícia sobre a revolução chegou ao Rio de Janeiro, D. João promoveu uma violenta repressão, buscando evitar, de qualquer modo, a ameaça à união do Império. Os revoltosos entraram pelo sertão nordestino, mas, logo em seguida, as tropas enviadas por D. João, acrescidas das forças organizadas pelos comerciantes portugueses e proprietários rurais, ocuparam Recife em maio de 1817. Os Governos da Bahia e do Ceará também reagiram à revolução, prendendo os revoltosos que para lá se dirigiram, buscando adesão ao movimento.
A luta durou mais de dois meses, até as forças governistas conseguirem derrotar os revoltosos. A repressão foi extremamente violenta. Muitos dos líderes receberam a pena de morte, como Domingos José Martins, José Luis de Mendonça, Domingos Teotônio Jorge e os padres Miguelinho e Pedro de Sousa Tenório. Para o Governo português a punição deveria ser exemplar, para desestimular movimentos similares. Depois de mortos, os réus tiveram suas mãos cortadas e as cabeças decepadas. Os restos dos cadáveres foram arrastados por cavalos até o cemitério.
Em 1818, por ocasião da aclamação do rei D. João VI, foram ordenados o encerramento da devassa, a suspensão de novas prisões e a libertação dos prisioneiros sem culpa formada. Continuaram, entretanto, presos na Bahia os implicados que já se encontravam sob processo, e assim permaneceram até 1821, quando foram postos em liberdade. Entre eles estavam o ex-ouvidor de Olinda, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, os padres Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo o Frei Caneca e Francisco Muniz Tavares.
terça-feira, 1 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
ARTE COLONIAL BRASILEIRA
Após a chegada de Cabral, Portugal tomou posse do território e transformou o Brasil em sua colônia. Primeiramente, foram construídas as feitorias, que eram construções muito simples com cerca de pau-a-pique ao redor porque os portugueses temiam ser atacados pelo índios. Preocupado com que outros povos ocupassem terras brasileiras, o rei de Portugal enviou, em 1530, uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa para dar início à colonização. Martim Afonso fundou a vila de são Vicente (1532) e instalou o primeiro engenho de açúcar, iniciando-se o plantio de cana-de-açúcar, que se tornaria a principal fonte de riqueza produzida no Brasil.
Após a divisão em capitanias hereditárias, houve grande necessidade de construir moradias para os colonizadores que aqui chegaram e engenhos para a fabricação de açúcar.
ARQUITETURA
A arquitetura era bastante simples, sempre com estruturas retangulares e cobertura de palha sustentada por estruturas de madeira roliça inclinada. Essas construções eram conhecidas por tejupares, palavra que vem do tupi-guarani (tejy=gente e upad=lugar). Com o tempo os tejupares melhoram e passam os colonizadores a construir casas de taipa.
Com essa evolução começam a aparecer as capelas, os centros das vilas, dirigidas por missionários jesuítas. Nas capelas há crucifixo, a imagem de Nossa Senhora e a de algum santo, trazidos de Portugal.
A arquitetura religiosa foi introduzida no Brasil pelo irmão jesuíta Francisco Dias, que trabalhou em Portugal com o arquiteto italiano Filipe Terzi, projetista da igreja de São Roque de Lisboa.
Esquema de arquitetura primitiva:
Dois eram os modelos de arquitetura primitiva. A igreja de Jesus de Roma (autor: Vignola) e a igreja de São Roque de Lisboa, ambas de padres jesuítas.
Floreciam as igrejas em todos sos lugares onde chegavam os colonizadores, especialmente no litoral.
Os principais arquitetos do período colonial foram: Francisco Dias, Francisco Frias de Mesquita, Gregório de Magalhães e Fernandes Pinto Alpoim.
A liberdade de estilo dada ao arquiteto modifica o esquema simples, mas talvez pela falta de tempo ou por deficiência técnica não se deu um acabamento mais aprimorado.
Algumas das principais construções de taipas:
• Muralha ao redor de Salvador, construída por Tomé de Sousa;
• Igreja Matriz de Cananéia;
• Vila inteira de São Vicente, destruída por um maremoto e reconstruída entre 1542 e 1545;
• Engenhos de cana-de-açúcar; e
• Casa da Companhia de Jesus, que deu origem à cidade de São Paulo.
TAIPA
Construção feita de varas, galhos, cipós entrelaçados e cobertos com barro. Para que o barro tivesse maior consistência a melhor resistência à chuva, ele era misturado com sangue de boi e óleo de peixe.
Elas podem ser feitas com técnicas diferentes:
A taipa de pilão, de origem árabe, consiste em comprimir a terra em formas de madeira, formando um caixão, onde o material a ser socado ia disposto em camadas de 15 cm aproximadamente. Essas camadas reduziam-se a metade após o piloamento. Quando a terra pilada atingia mais ou menos 2/3 da altura do taipal, eram nela introduzidas transversalmente, pequenos paus roliços envolvidos em folhas, geralmente de bananeiras, produzindo orifícios cilíndricos denominados cabodás que permitiam o ancoramento do taipal em nova posição. Essa técnica é usada para formar as paredes externas e nas internas estruturais, sobrecarregadas com pavimento superior ou com madeiramento do telhado.
A taipa de mão ou pau-a-pique que caracterizam-se por uma trama de paus verticais e horizontais, eqüidistantes, e alternadamente dispostos. Essa trama era fixada verticalmente na estrutura do edifício e tinha seus vãos preenchidos com barro, atirado por duas pessoas simultaneamente uma de cada lado. A taipa de mão geralmente é utilizada nas paredes internas da construção.
ESCULTURA
Os jesuítas ensinaram aos índios e negros o alfabeto, a religião e a trabalhar o barro, a madeira e a pedra.
O índio é muito hábil na imitação, mas, também muito primário e rústico na execução. O negro adapta-se mais facilmente e é exuberante no desenho, na arte, no talhe e nas lavras.
Sob direção dos religiosos e de mestres, vindos além-mar, o índio e o negro esculpiram muitos trabalhos, que são a base ao enxerto da arte Barroca, em auge na Europa.
FORTE SÃO JOÃO
No ano de 1531, após viagem através do Atlântico Sul, as naus de Martim Afonso de Souza avistaram terras tupi-guaranis.O lugar, chamado"Buriquioca"(morada dos macacos) pelos nativos, encantou os portugueses por suas belezas naturais e exóticas. Apesar da bela paisagem, por motivo de segurança seguiram viagem, indo aportar em São Vicente, no dia 22 de janeiro de 1532. Neste mesmo ano, Martim Afonso enviou João Ramalho à Bertioga afim de verificar a possibilidade de construir uma fortificação para proteger a nova vila dos ataques Tamoios.
Em 1540, Hans Staden, famoso artilheiro alemão, naufragou na costa brasileira e foi levado à São Vicente.Lá, foi nomeado para comandar a fortificação em Bertioga.
Em 1547, a primitiva paliçada de madeira foi substituída por alvenaria de pedra e cal e óleo de baleia, o que originou o verdadeiro Forte.Primeiramente foi chamado Forte Sant'Iago (ou São Tiago), recebeu a denominação de Forte São João em 1765, devido à restauração de sua capela, erguida em louvor a São João Batista.
Em 1940, a fortaleza, considerada a mais antiga do Brasil, foi tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) .
Aproveitando a comemoração dos 500 anos do Brasil, a Prefeitura de Bertioga e o Iphan entregam para visitação o forte totalmente restaurado.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
QUESTÃO DE HISTÓRIA DA SEMANA

A respeito da história política de Cuba, considere os itens seguintes.
I. No início da década de 1930, Fulgêncio Batista já havia se transformado em homem forte do regime, embora só tenha ocupado a presidência posteriormente (1940-1944 e 1952-1959).
II. A Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu, no início da década de 1960, implementar o bloqueio econômico e político a Cuba.
III. A União Soviética apoiou o regime de Castro apenas a partir dos anos 1990, quando as dificuldades econômicas cubanas tornaram-se mais agudas.
IV. No início da ascensão de Fidel Castro ao poder, tomaram-se medidas democráticas e nacionalizantes, tais como a reforma agrária radical e a expropriação de propriedades de norte-americanos e de cubanos dos ramos petrolífero, telefônico, açucareiro e de eletricidade.
V. Apesar das divergências econômicas existentes entre Cuba e Estados Unidos da América, observam-se convergências significativas no que se refere às relações políticas.
É correto apenas o contido em
A) I, II e III.
B) I, II e IV.
C) I, III e IV.
D) II, III e V.
E) II, IV e V.
resp.: b
sábado, 19 de fevereiro de 2011
EXERCÍCIO DE REVISÃO (PARA AS TURMAS DE 3º ANO)

1- Os portugueses conquistaram, em 1415, a cidade de Ceuta, importante centro comercial dominado pelos árabes. Assinale a alternativa que caracterizou esse fato.
a- O apogeu da expansão marítima de Portugal.
b- O início das incursões dos portugueses nos mares.
c- A chegada dos portugueses no extremo sul da África.
d- O início do ciclo oriental dos descobrimentos.
e- O fim do poderio marítimo dos países ibéricos.
2- Sobre a expansão marítima espanhola é incorreto afirmar que:
a- Iniciou-se com a viagem de Cristóvão Colombo, em 1492. Em busca de um caminho para as Índias, pelo Ocidente;
b- Iniciou-se depois da expansão portuguesa porque os espanhóis estavam ocupados na luta pela expulsão dos mouros de seu território;
c- O casamento de Fernando e Isabel, unindo os reinos de Aragão e Castela foi um importante passo para a formação do Estado espanhol, pré-requisito para a organização da expansão marítima e comercial;
d- A concorrência da Espanha em assinar o Tratado de Tordesilhas antes da viagem de Colombo é uma prova de que já sabiam da existência das terras americanas;
e- Embora Cristóvão Colombo tenha sido o descobridor da América, o continente recebeu esta denominação em homenagem a Américo Vespúcio, navegador que descobriu ser, as terras, um continente novo e não as Índias.
3- Analisando as proposições sobre as Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos, é correto afirmar que:
I- A tomada de Constantinopla pelos turcos, em 1453, desencadeou as navegações ibéricas, sendo os lusos pioneiros na exploração do Mar Mediterrâneo.
II- Portugal foi pioneiro nas explorações do Atlântico. Seu litoral convidava-o a navegar, e a inexistência de forte nobreza feudal permitia ao rei participar dos esforços marítimos.
III- A Bula Inter Coetera mandava contar, das Ilhas de Açores para ocidente, cerca de 200 léguas, findas às quais traçava uma linha no sentido dos pólos. As terras da direita dessa linha pertenceriam à Espanha.
a- Apenas as proposições II e III são verdadeiras;
b- Apenas as proposições I e II são verdadeiras;
c- Apenas as proposições I e III são verdadeiras;
d- Apenas a proposição II é verdadeira;
e- Todas as proposições são verdadeiras.
4- Marque verdadeiro e falso.
0-0- A expedição de Fernão de Magalhães, realizada entre 1519 e 1522, foi a primeira a dar a volta completa no globo terrestre.
1-1- O grande feito do navegador Bartolomeu Dias foi ter conseguido ultrapassar um dos maiores obstáculos para o estabelecimento de um novo caminho para as Índias: o Cabo das Tormentas, no extremo sul da África.
2-2- A primeira viagem de Vasco da Gama às Índias demonstrou sua pouca lucratividade, em termos comerciais. Assim, o rei de Portugal resolveu dar mais atenção às terras americanas, organizando, por isso, a expedição de Pedro Álvares Cabral.
3-3- Apesar de pioneira no empreendimento das Grandes Navegações, a nação portuguesa nunca controlou a distribuição dos produtos coloniais no mercado europeu.
4-4- No empreendimento da expansão marítima dos Estados europeus, a grande rival dos monarcas foi a Igreja Católica, que condenou a expansão porque considerava o contato do europeu com os povos pagãos dos outros continentes uma ameaça à integridade da doutrina cristã.
5- O período de 1500 a 1530 é chamado de Pré-Colonial, visto que os portugueses não se interessaram de imediato pela colonização. A razão disto está relacionada com:
a- O valor comercial das especiarias orientais era muito superior ao pau-brasil.
b- A presença de corsários dificultando o trabalho português.
c- A grande falta de recursos humanos, especialmente de escravos.
d- A agressividade do índio impedindo a fixação do português.
e- Por todos os motivos acima citados.
6- Marque a alternativa falsa:
a- O pau-brasil era intensamente contrabandeado pelos piratas e corsários franceses.
b- As feitorias, armazéns fortificados costeiros foram típicos na exploração do pau-brasil.
c- Nas costas brasileiras, utilizava-se de escambo ou troca para aquisição de madeira tintorial.
d- Com a exploração do pau-brasil na colônia foi efetivada a colonização portuguesa.
e- A França tinha um grande interesse pela nossa madeira, devido à necessidade de matérias-primas para suas indústrias têxteis.
7- Nas primeiras décadas, após a descoberta do Brasil, não houve, por parte de Portugal medidas efetivas para a colonização de seu território na América, porque:
a- As finanças da metrópole arrasadas não permitiam o ônus advindo de uma empresa colonizadora.
b- Encontrou o português tenaz resistente por parte dos aborígines.
c- As perspectivas econômicas oferecidas pelo seu quinhão americano eram mínimas em comparação com o comércio do Oriente.
d- A visão pessimista deixada pelos primeiros cronistas que aqui estiveram anulava qualquer esforço nesse sentido.
e- Todas as alternativas estão corretas.
8- A colonização reserva tradicionalmente a denominação período pré-colonizador para os primeiros trinta anos da história do Brasil porque:
a- A principal atividade econômica desenvolvida no litoral brasileiro, entre 1500 e 1530, foi a extração do pau-brasil, realizada pelos grupos indígenas que entraram em contato com os descobridores europeus.
b- As atividades desenvolvidas naquele período, além do maior interesse da Coroa Portuguesa pelo comércio oriental, não conduziram à efetiva ocupação do litoral brasileiro.
c- As constantes disputas entre “perós” (portugueses) e “mairs” (franceses) pelo tráfico do pau-brasil não permitiram o início da ocupação efetiva de todo o território, isto é, o início da colonização.
d- A importância do litoral brasileiro estava no monopólio que ele assegurava para a monarquia portuguesa da “rota do Cabo”, isto é, do comércio com as Índias.
e- O sistema de capitanias hereditárias, instituído por D. João III, fracassou inteiramente, impossibilitando assim o início da colonização.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
QUESTÃO DE FILOSOFIA DA SEMANA

Para Karl Popper, o problema da demarcação consiste em "estabelecer um critério que habilite distinguir entre as ciências empíricas, de um lado, e a Matemática e a Lógica, bem como os sistemas "metafísicos, de outro.
Karl Popper. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1975, p. 35.
Considerando o problema mencionado no fragmento de texto acima bem como a teoria epistemológica popperiana, assinale a opção correta.
A - A indução estabelece fronteiras claras entre o não científico e o científico.
B - A certeza científica fundamental é a psicológica.
C - A comparação lógica da conclusão das teorias e a investigação da forma lógica das teorias não pode servir como demonstração da correção dessas teorias.
D - A falseabilidade é critério de demarcação.
E - As ciências da natureza, na perspectiva epistemológica contemporânea, não podem destruir convicções anteriores.
resp.: d
CAPITANIAS E GOVERNOS GERAIS


ADMINISTRAÇÃO COLONIAL
As Capitanias Hereditárias
(Descentralização)
Com o sistema de capitanias, criadas por D. João III a partir de 1534, tem início a colonização regular da costa brasileira. Esse sistema não constitui uma experiência nova, pois já havia sido empregado na colonização das ilhas portuguesas do Atlântico. Só que, no Brasil, as condições não foram tão favoráveis.
Portugal lançou mão desse sistema de colonização com base na iniciativa privada porque estava na iminência de perder a terra, diante das pretensões estrangeiras e, principalmente, porque se achava endividado.
A primeira capitania surgiu em 1504 quando D. Manuel I doou a Fernando de Noronha, a Capitania de São João no Arquipélago de Fernando de Noronha. Entretanto, o sistema só se desenvolveu entre 1534 e 1536, quando D. João III criou 14 novas capitanias entre o Maranhão e Santa Catarina. As capitanias compreendiam grandes áreas, traçadas entre a linha de Tordesilhas e o Atlântico, em lotes de extensão desigual e entregues a fidalgos, mediante as Cartas de Doação e o Foral, que estabeleciam os deveres e direitos dos donatários.
Entre os deveres dos donatários, destacam-se: a colonização, a defesa militar, a fundação de vilas e povoados, defender os interesses da Coroa, organizar a administração da capitania.
De um modo geral, eram direitos dos donatários: governar a capitania, criando órgãos administrativos, ministrando a justiça, cobrando taxas e impostos, doar sesmarias, escravizar índios, transmitir as capitanias por herança. Eram direitos, ainda, 50% do pau-brasil e o recebimento de dízima (10%) do quinto pago à Coroa pelos metais e pedras preciosas.
Os donatários não eram proprietários das capitanias, pois, de acordo com as Cartas de Doação e os Forais recebiam poderes sobre a Terra, mas não a propriedade da terra. A capitania era hereditária, inalienável e indivisível. Permaneceram como direitos reais o controle alfandegário, a cunhagem de moedas, os monopólios do pau-brasil, a quinta dos metais e pedras preciosas e o dízimo.
As dificuldades para o desenvolvimento das capitanias foram enormes, apesar das vantagens concedidas aos donatários. Alguns deles não vieram nem tomar posse das terras. Outros fracassaram pela falta de recursos financeiros, pelas hostilidades dos estrangeiros e indígenas, pela carência de mão-de-obra, pelas dificuldades de comunicação com a metrópole, e, mesmo entre as diversas capitanias, pela falta de um organismo centralizador.
Apesar dessas dificuldades, o sistema prosseguiu durante o período colonial, surgindo, paralelamente, as capitanias Reais.
Ainda na primeira metade do século XVI D. João III transformou a Capitania de Todos os Santos em sede do governo geral e, em seguida, outras capitanias foram se transformando em reais até que, no século XVIII desapareceram as últimas capitanias hereditárias. Com a centralização e a ocupação da área interiorana, novas capitanias foram surgindo e outras foram sendo desmembradas, até surgir a divisão administrativa, que, com algumas modificações, deu origem às províncias do Império, e posteriormente, aos estados da República.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelos donatários, a situação não continuou a mesma, pois foi estimulado o povoamento garantindo posse da terra, progrediu a produção açucareira e evitou-se mais o contrabando, isso sem contar as capitanias de Pernambuco e São Vicente, que desde cedo obtiveram grande sucesso. Portanto, não se pode falar em fracasso; o que se verificou foi um desenvolvimento desigual das Capitanias. Da maneira como foi implantado, sem um órgão central que coordenasse a ação dos donatários o sistema apresentava-se inexeqüível à realidade do núcleo colonial português na América.
Com a finalidade de superar as dificuldades das capitanias e centralizar política e administrativamente a Colônia, D. João III, em 1548, criou o Governo Geral. Essa centralização foi necessária para impedir o abuso do poder por parte dos donatários, combater mais eficientemente a pirataria, deter as hostilidades dos indígenas e incentivar mais a economia.
O Governo Geral
(centralização)
Através da Carta Régia, de 7 de janeiro de 1549, Tomé de Sousa foi nomeao Governador e a Bahia indicada como sede, por ser o ponto mais central. Outros cargos foram criados, como o de provedor-mor encarregado da administração e arrecadação das rendas da coroa, o de ouvidor-geral, com atribuição judiciária, o de capitão-mor-da-costa, responsável pelo policiamento do litoral, além de cargos menores.
A mais alta autoridade era o governador (Capitão-geral), que administrava de acordo com o regimento do cargo e com as novas instruções que vinham da Metrópole. Era a maior autoridade administrativa, militar, além de inspecionar os outros setores.
A arrecadação de taxas e impostos estavam a cargo da Junta da Fazenda, que tinha repartições e funcionários subordinados. Na dependência do ouvidor (Juiz de Direito) estavam as comarcas, divididas em Termos, e estes em freguesias.
As vilas e cidades eram governadas pelas Câmaras Municipais, compostas do juiz ordinário, vereadores, um procurador e um tesoureiro. As câmaras tiveram um papel de destaque, pois eram os únicos órgãos de defesa dos interesses do povo, contribuindo para “uma experiência política brasileira, base para o desejo de auto-governo”. Entretanto, é importante assinalar que apenas os homens bons (grandes proprietários territoriais) participavam da administração local. A massa da população ficava marginalizada.
O sistema de Governo Geral perdurou até 1808, com a chegada da Corte. Durante esse período, foi criado o Estado do Maranhão (1612), território que ia do Ceará ao extremo-norte, compreendendo o restante da colônia, o Estado do Brasil. Em 1737, o Estado do Maranhão foi substituído pelo Estado do Grão-Pará e Maranhão, que foi absorvido em 1774 pelo do Brasil. Os governadores gerais a partir de 1720 passaram a usar o título de vice-reis, embora suas atribuições não tivessem sofrido alterações. Em 1763, a capital da colônia foi transferida para o Rio de Janeiro, principalmente devido à exploração aurífera e as questões fronteiriças no Sul.
Baseado no Pacto Colonial a economia colonial possuía uma função predominantemente exportadora. A empresa colonial, montada dentro dos princípios mercantilistas da Idade Moderna concentrava-se na produção de gêneros agrícolas e na atividade extrativa (metais preciosos), com vistas a complementar o comércio metropolitano. Evidentemente, ficavam proibidas as manufaturas (objetivando evitar a concorrência com os produtos europeus). É certo, também que a produção é ditada pelas necessidades da Metrópole e em escala maior do próprio comércio internacional. Neste sentido há uma interação entre Colônia, Metrópole e Mercantilismo.
ECONOMIA COLONIAL
O sistema produtivo foi baseado no quadrinômio tão comum em áreas de colônias tropicais:
1- Latifúndio: se a produção tem que ser em alta escala, concentrando-se em um artigo que tenha grande aceitação na Europa, a solução seria a grande propriedade. Em vista também do pequeno número de portugueses que para aqui vinham e com o objetivo de enriquecimento. Deve-se lembrar, ainda, que a pequena propriedade não surtiu efeito em áreas tropicais e mesmo subtropicais (área Meridional da América do Norte, por exemplo).
2- Monocultura: se a economia se destina ao mercado externo e a grande escala, explora-se apenas um produto de cada vez. A produção visa os artigos de clima tropical tão consumíveis na Europa.
3- Escravidão: era necessário numerosa mão-de-obra para atender uma grande produção e sobre um vasto território. O colonizador, em número reduzido não se dispõe ao trabalho pesado. O trabalho assalariado tornaria inviável economicamente a empresa colonial. A solução então seria a escravidão. O índio brasileiro não se achava a altura, era seminômade e não feito aos tipos de trabalhos exigidos. O português, então, apelou para o africano em nível superior e já adaptados aos trabalhos exigidos. É necessário que se lembre, que o tráfico negreiro existia desde meados do séc. XV. Resta esclarecer que a escravidão era uma realidade na própria África.
4- Exportador:________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
PRINCIPAIS ATIVIDADES ECONÔMICAS
- LAVOURA AÇUCAREIRA -
A perspectiva principal estava na cultura de cana-de-açúcar pois tratava-se de um produto de grande valor comercial na Europa. Para levantar fundos necessários à implantação deste tipo de agricultura no Brasil recorreu-se sobretudo aos banqueiros holandeses.
A experiência portuguesa nesta produção (ilhas na costa africana, Açores, Madeira e Cabo Verde), a grande aceitação do produto na Europa (o açúcar era considerado rara especiaria) e o clima tropical brasileiro favorável ao sucesso da lavoura canavieira estimularam a introdução das mudas de cana-de-açúcar no Brasil. Desta forma, Portugal realizou a montagem de uma empresa comercial agrária, destinada ao mercado europeu.
Com Martim Afonso, em 1532, introduziu-se a cana na colônia, na capitania de São Vicente.
Daí, expandiu-se a cultura de cana-de-açúcar para o Nordeste, pelo litoral, até a Bahia e Pernambuco, onde encontrava meio mais propício ao seu desenvolvimento. “Em meados do séc. XVI a produção da América Portuguesa era superior à da América Espanhola. Fernão Cardim, Gabriel Soares e o Padre Anchieta, cronistas quinhentistas nos dão a cifra de 300.000 arrobas para a produção anual do açúcar brasileiro nos fins deste século”.
(Afonso Arinos de Melo Franco, em Síntese da História Econômica do Brasil)
Não se pode perder de vista a participação flamenga no negócio açucareiro. Sem ela, a empresa agroindustrial açucareira teria se constituído num autêntico fracasso.
Podemos resumir a participação dos holandeses da seguinte forma:
Coparticipação nos investimentos iniciais para a montagem da empresa;
Transporte do açúcar para a Europa;
Refino do produto (Amsterdã);
Comercialização e distribuição do açúcar brasileiro na Europa.
Observe no mapa abaixo a rota do açúcar brasileiro.
Atividades subsidiárias da economia açucareira
A razão por que nem todas as propriedades dispunham de engenho próprio são as proporções e custos das instalações necessárias. O engenho era um estabelecimento complexo; compreendia numerosas construções e aparelhos mecânicos: moenda (onde a cana é comprimida), casa de purgar (onde se completa esta purificação), a casa grande (habitação do senhor), a senzala (dos escravos), além das oficinas, estrebarias etc.
Além do açúcar, figura igualmente na economia colonial, como produto de exportação, o fumo. Sua importância se baseia no fato de que servia como moeda para a aquisição dos escravos africanos. O fumo trazia para o Brasil o negro, que fez grandeza do açúcar.
Quanto ao gado, inicialmente produto secundário (pois era destinado a fornecer meios de subsistência à produção), vivendo portanto, em função do açúcar, vai adquirir dimensões muito maiores no desbravamento do sertão, como veremos mais adiante.
"São tão grandes as riquezas deste novo mundo e da mesma maneira sua fertilidade e abundância, que não sei por qual das coisas comece primeiramente; mas [...] de todas estas coisas o principal nervo e substância da riqueza da terra é a lavoura dos açúcares. "
Ambrósio Fernandes Brandão (1618).
A aguardente, subproduto de grande consumo na colônia, também era exportada para a costa da África onde servia no escambo e aquisição de escravos.
Numa economia como a brasileira é preciso distinguir dois setores bem diferentes da produção: o primeiro é o dos grandes produtos de exportação, como o açúcar; o outro é o das atividades acessórias, cujo fim é manter o funcionamento daquela economia de exportação. Uma agricultura – apesar de acanhada – que era ligada à base alimentar da população é a chamada agricultura de subsistência, cujos produtos advinham em grande parte da cultura indígena, principalmente a mandioca, depois o milho, arroz e feijão; as verduras, pouco consumidas na Colônia, serão substituídas pela abundância de frutas tropicais.
PECUÁRIA
O estudo da criação de gado sempre foi relegado a um segundo plano. Via-se a pecuária em função da grande lavoura e da economia mineira.
Hoje, entretanto, confere-se à atividade um papel primordial na economia colonial brasileira. Foi por exemplo, a primeira atividade na colônia que gerou uma renda colonial que aqui permaneceu e se consolidou.
É bom notar, que é impreciso o termo “ciclo” no que se refere à pecuária. Quando o engenho entrou em decadência, a atividade continuou vigorosamente pelo sertão até atingir a área sulina.
Portanto, não houve decadência da pecuária, os rebanhos coloniais proliferaram, e continuam hoje a manter determinadas áreas brasileiras.
O gado na Colônia
Com a vinda da armada de Martim Afonso de Sousa para o início da colonização regular do Brasil, é que tem início a chegada dos primeiros animais domésticos.
Aumentando consideravelmente, pela bondade dos campos se estendiam terra adentro, o mesmo não tardou a se tornar um elemento autônomo na economia colonial. Mais tarde, a Bahia recebeu gado bovino que lhe era enviado do arquipélago de Cabo Verde, conforme pedido que Tomé de Sousa fez a D. João III.
Foi a zona do açúcar, porém, que deu origem à primeira fase da criação do gado. É que a indústria do açúcar era importante consumidora de gado. Os Trapiches e Engenhos, movidos por bois, faziam grande desgaste; as carretas (carros de bois) para o transporte exigiam número considerável de cabeças, em porção talvez, igual ao da escravatura ocupada. A alimentação à base de carne era necessária para os que se dedicavam aos intensos trabalhos dos engenhos. Junto aos engenhos havia currais, em que abrigavam as cabeças utilizadas no seu fornecimento.
Esta primeira fase é conhecida como criação de quintal, isto é, o gado é criado junto aos engenhos.
O grande crescimento da indústria açucareira, estimulou a criação. Em razão do aumento da criação, começa a se esboçar um conflito em potencial, que viria refletir o choque entre as duas atividades econômicas simbolizadas nos interesses dos criadores e plantadores.
Daí uma das razões da retirada do gado do litoral, longe dos engenhos, dos canaviais, dos mandiocais, para terras mais pobres que não poderiam ser aproveitadas para as culturas exigidas pelo número crescente dos engenhos do litoral. Uma carta régia, datada de 1701, veio mesmo proibir a criação de gado a menos de 10 léguas da costa. Exigindo a criação grandes espaços, (pastagens), o caminho do sertão estava aberto. A partir de então, partindo de Olinda e Salvador o gado penetra no sertão nordestino, integrando uma vasta área à colonização.
A criação passa a ser extensiva e itinerante, com o gado buscando melhores pastagens e os “olhos d’água” do sertão nordestino. Nesta fase, ao longo do São Francisco surgem várias fazendas criatórias. Em meados do séc. XVIII a pecuária do sertão nordestino alcança seu apogeu.
A Ocupação do Sul
Foi a exploração mineradora, no decorrer do século XVIII que constituiu o estímulo ao devassamento e o suporte econômico de algumas áreas do Brasil Meridional, notadamente o extremo sul (do Paraná ao Rio Grande), levado a efeito pela Pecuária, que partindo dos chamados “campos gerais” onde concentrava o grosso do gado vicentino ganharam os pampas enquanto outra corrente ganhava o território de Minas Gerais. Mas é o gado que se estabelecerá no sul que abastecerá o grande mercado consumidor da mineração.
Portanto, o grande centro de criação do gado, foi, sem dúvida, o Rio Grande do Sul, sobretudo a partir de 1777, onde vamos encontrar a intensificação da indústria pastoril, através da multiplicação das “Estâncias” (nome dado às fazendas de criação no Sul). A principal atividade, a princípio, foi a produção de couros que se exportam em grande quantidade. Mais tarde é que aparece o charque (nome local da carne seca). O seu aparecimento no comércio da colônia coincidirá com a decadência da pecuária nos sertões do Nordeste incapaz de atender às necessidades do mercado.
Em 1793 a Capitania já exportava 13.000 arrobas de charque; nos primeiros anos do século seguinte alcançará quase 600.000. A indústria de laticínios não é muito desenvolvida, estando muito aquém da de Minas Gerais. A par do gado bovino, criam-se, no Rio Grande, cavalos e, sobretudo, muares e o gado lanígero aparece em certa quantidade.
IMPORTÂNCIA DA PECUÁRIA COLONIAL
Base alimentar, transporte, força motriz;
Atividade que integrou o elemento indígena;
Expansão do povoamento, ocupação territorial;
Esteio econômico da área sertaneja, nordeste e sul da colônia;
Atividade geradora de um comércio interno (renda colonial para a própria colônia);
Abastecimento de núcleos em épocas de crise (ex. área açucareira e mineradora);
Elo seguro entre a área nordestina (açucareira) e a do centro-oeste (mineira), para o abastecimento (carne) e o transporte (tropa).
MINERAÇÃO
Sabe-se que a Coroa Portuguesa jamais abandonou a esperança de descobrir grandes estoques metálicos no Brasil. O exemplo das áreas espanholas, notadamente o México, Peru e Bolívia eram encorajantes. Entretanto, foi a partir da “Restauração” portuguesa (1640) que intensificou-se o chamado movimento bandeirante.
As Bandeiras correspondem a movimentos interioranos (em geral na área do centro-sul e sulinos (até o Rio Grande do Sul e áreas platinas).
São impulsionadas pela sobrevivência, no caso paulista (especificamente) pois a pobreza e a precariedade de condições empurram a esta atividade.
O ciclo do couro pode ser considerado como proveniente das atividades das Bandeiras de Fernão Dias. Se em realidade, Fernão Dias Pais Leme não encontrou as acalentadas “esmeraldas”, de suas incursões resultou um melhor conhecimento da quase totalidade do território de Minas Gerais.
A análise da situação portuguesa no séc. XVIII (quadro acima), situação, aliás, que vinha se definindo desde os meados do séc. XVII nos permite concluir que a atividade mineradora vai se revestir de um interesse todo especial por parte da Coroa Portuguesa. Pode-se mesmo afirmar, que a exploração do ouro brasileiro constitui-se na tábua de salvação de Portugal, então, nação de segunda ordem no contexto europeu. As minas vão manter por mais algum tempo o parasitismo da nobreza e da corte, além da ilusão de “prosperidade” do reino português.
Segundo Caio Prado, “as primeiras notícias de ouro na colônia são dos últimos anos no século XVI: tratava-se desta insignificante mineração em São Paulo que nunca foi seriamente por diante”.
Como você pode constatar, sempre foi uma nítida preocupação do português a procura de metais e pedras preciosas, estimulada pela “inveja do espanhol e por informação fantásticas a respeito”.
Entretanto as grandes minas de ouro das “Gerais” só seriam descobertas por Antônio Rodrigues Arzão, que partiu de Taubaté até o sertão do Rio Casca. Seguem-se as bandeiras de Bartolomeu Bueno Siqueira que penetrou até o Rio das Velhas; a de Manuel Borba Gato, que descobriu as minas de Sabará em 1700; a de Pascoal Moreira Cabral, que encontrou o primeiro ouro em Cuiabá; a de Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhangüera) que explorou as minas de Goiás etc...
Reflexos da Descoberta do Ouro
Portugal vê novas perspectivas na rica colônia brasileira; a exploração econômica “aliviaria” sua caótica situação;
O quadro colonial brasileiro se agita na busca eufórica do enriquecimento;
Nova política colonial: a descoberta do ouro acarreta um intenso fiscalismo metropolitano;
A descoberta das “minas” (e dos diamantes posteriormente) marca o início do ciclo econômico da mineração e representa a última e mais importante fase do Bandeirantismo.
A Exploração Aurífera e a Legislação nas “Minas”
A mineração foi submetida desde o início a um severo controle e fiscalização através de um sistema que minuciosa e rigorosamente mantinha a disciplina.
“As descobertas de jazidas eram obrigatoriamente manifestadas às autoridades competentes. Estes então se transportavam ao local, faziam a demarcação dos terrenos auríferos e das “datas” – é como se chamam os lotes destinados aos mineradores”. (Caio Prado)
“Para executar o Regimento, cobrar o quinto, superintender todo o serviço de mineração e resolver os pleitos entre os mineradores, bem como destes com terceiros, em questões atinetes à mineração (havia muitas destas últimas questões, como as relativas à utilização de águas e matas), criou-se um organismo administrativo especial”: a Intendência das Minas, que destacava-se como um dos órgãos especiais da Colônia.
“Em cada capitania em que houve extração de ouro, organizou-se uma Intendência que nas suas atribuições independia completamente das demais autoridades coloniais: só prestava contas e obediência ao governo da metrópole. Compunha-se a Intendência de um superintendente, conhecido vulgarmente como intendente, a quem cabia a direção geral do serviço, e de um guarda-mor, que é quem fazia a repartição das datas e fiscalizava, nas minas, a observância do regimento”. (Caio Prado)
Posteriormente, foram criadas as Casas de Fundição, através das quais o ouro era conhecido, fundido, e após deduzido o quinto, reduzido em barras e marcado com o selo real. Posteriormente devolvido ao proprietário. Era desta forma controlado o ouro, que a partir deste sistema, poderia circular livremente na capitania.
O Tratado de Methuen – 1703
Quase todo o ouro aqui extraído não ficava na colônia, ia diretamente para Portugal, onde tinha destino certo: Londres. Isto em virtude do Tratado de Methun (1703), pelo qual os portugueses se comprometiam a adquirir os produtos da indústria manufatureira inglesa em troca de compra, por parte da Inglaterra, dos produtos agrícolas portugueses, notadamente os vinhos, sendo o saldo devedor pago em ouro, pelas partes. Seria óbvio o comentário de que o saldo devedor sempre pertenceu a Portugal... Portanto, nem Portugal, nem o Brasil ficaram com o ouro que as minas da Colônia produziram em profusão.
Deste tratado decorre a insatisfação e suspeita de enriquecimento de muitos. A Inglaterra obteve lucros e estendeu o seu monopólio comercial. Graças ao acúmulo de capitais (proveniente, em grande parte das “Minas Gerais”). A Inglaterra conseguiu uma superioridade técnica e material que lhe valeu o pioneirismo na Revolução Industrial.
Os Diamantes
Paralelamente às atividades auríferas foi também explorado o diamante, principalmente na região do Tijuco. Foi adotado o mesmo sistema de tributação, ou seja, “o quinto”.
Entretanto, a Coroa, posteriormente, passa a organizar a tributação de forma diversa. Foi demarcada a região explorável, denominada “Distrito Diamantino”, sendo entregue a particulares, a sua exploração, pela qual pagariam determinada quantia fixa.
Em 1777, pelo Marquês de Pombal, foi criada a Real Extração ou Intendência dos Diamantes, sistema que vigorou até após a Independência. A administração da Intendência era autônoma e guiada por uma legislação especial.
A exploração mineral era feita pelos sistemas de faiscação e lavras. As lavras apareceram no período em que o ouro era mais abundante.
No trabalho de faiscação, isolado e nômade, o garimpeiro utilizava recursos simples tais como a bateia. O ouro era geralmente de aluvião e o metal de rocha..
Na verdade as lavras eram estabelecimentos fixos que dispunham de algum aparelhamento e, onde sob direção única e trabalhando em conjunto, reúnem-se vários trabalhadores. A eles se opõem a pequena extração realizada por indivíduos isolados que não empregam senão a batéia, o carumbé e outras ferramentas.
Complexo Econômico Mineiro
A grande produção dos diamantes acarretou a sua desvalorização e o prejuízo no seu comércio. Da mesma forma que o ouro, os diamantes eram contrabandeados e seu grande valor em volume reduzido facilitava os desvios.
Em fins do séc. XVIII tanto o ouro quanto o diamante entraram em franca decadência.
Causas da Decadência da Mineração (Segundo Caio Prado)
-Esgotamento das jazidas (ouro de aluvião);
-Deficiência técnica e de recursos materiais;
-Rotina dos processos utilizados para a
exploração;
-Ignorância completa dos mineradores
referente à sua atividade especifica.
Reflexos da Atividade Mineradora
Consolidação do povoamento da região centro-oeste da colônia;
Caráter urbano e criação de um rico centro cultural em Minas Gerais (apogeu do barroco);
Intensa vigilância e fiscalização da Metrópole portuguesa em relação às riquezas coloniais, para, através de impostos elevados, manter o domínio econômico e evitar o contrabando;
Elo seguro e cada vez maior entre a atividade mineradora e a pecuária, incentivo ao desenvolvimento do comércio, transporte e abastecimento;
Criação de novas capitanias, devido ao aumento da área territorial ocupada (Minas Gerais: 1720); Goiás e Mato Grosso em 1748, todas capitanias Reais;
Deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o Centro-Sul;
Inconfidência Mineira – 1789.
Assinar:
Postagens (Atom)










