sexta-feira, 14 de maio de 2010

O primeiro dia do resto de nossas vidas




Aos 15 minutos do dia 8 de maio, ano 1945, o alto comando alemão assinava, perante os principais chefes das forças aliadas, a capitulação incondicional do regime nazista. Findava, em solo europeu, o mais sangrento e destruidor conflito de toda a história. O mundo acordaria, na manhã seguinte, livre de uma ditadura que se imaginava eterna. A historiografia ocidental, mergulhada no clima da guerra fria, não demorou para ser dominada por uma versão daquele período conveniente às potências capitalistas. O esforço revisionista tinha – e segue tendo - dois objetivos: apresentar o nazismo como uma anomalia e demonstrar que as democracias liberais tinham sido as principais responsáveis por sua derrocada. A primeira dessas ambições ideológicas é seminal. Hitler e seus sequazes deveriam ser tratados como loucos de carteirinha, descolados das classes sociais que representavam. Sua trajetória, contada como a antítese do liberalismo e, portanto, dos prazeres das economias de mercado. Nada de abordá-los como a expressão mais agressiva do capitalismo tardio, sedento por mercados e fontes de matéria-prima já controlados por outras nações. Seria ainda menos adequado retratá-los como a ponta de lança contra o movimento operário e o primeiro país socialista, a União Soviética, conforme declaravam em seus próprios documentos. O segundo dos propósitos da releitura ocidental sobre a guerra tem demandado mais munição. Não houve arma informativa ou cultural que não tenha sido usada para exibir os exércitos norte-americanos e ingleses como os bastiões da libertação. O Dia D é cultuado, geração após geração, como o momento culminante da luta contra Hitler. Mesmo o holocausto tem sido manipulado como instrumento de propaganda, na tentativa de exibir o extermínio dos judeus e outras minorias como principal meta do nazismo. O genocídio racial, afinal, serve como cortina dramática para esconder que o objetivo central dos exércitos alemães era destruir a URSS e expandir o capitalismo alemão rumo ao leste. O problema dessa versão, porém, são os fatos. Mais de vinte milhões de soviéticos pagaram com a vida por resistirem ao nazismo. Os países ocidentais abriram uma segunda frente somente três anos depois da agressão hitlerista contra a pátria de Dostoyevsky. A coluna vertebral da poderosa Wehrmacht foi quebrada na Batalha de Stalingrado, um dos episódios mais épicos de que se tem notícia. Foi o início do fim para o Reich de mil anos. Não é à toa que a capitulação alemã foi assinada no quartel-general das tropas soviéticas. Naquelas primeiras horas do resto de nossas vidas, a verdade ressurgia em honra aos mais heróicos combatentes.


Breno Altman é jornalista e diretor editorial do sítio Opera Mundi

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Questão de Sociologia


São condições para uma boa política social no Brasil:


a) Seletividade de atendimento, estabelecimento de prioridades, utilização eficiente de recursos, facilitação do acesso, promoção da demanda, realização adequada de diagnósticos, centralização e concentração, aumento da participação dos usuários nos programas e novos parâmetros institucionais.
b) Seletividade de atendimento, focalização de serviços, estabelecimento de prioridades, utilização eficiente de recursos, facilitação do acesso, promoção da demanda, realização adequada de diagnósticos, descentralização e desconcentração, aumento da participação dos usuários nos programas e novos parâmetros institucionais.
c) Universalidade igualitária de atendimento, focalização de serviços, estabelecimento de prioridades, utilização eficiente de recursos, facilitação do acesso, promoção da demanda, realização adequada de diagnósticos, descentralização e desconcentração, aumento da participação dos usuários nos programas e manutenção de parâmetros institucionais.
d) Seletividade de atendimento, focalização de serviços, estabelecimento de prioridades, utilização eficiente de recursos, facilitação do acesso, universalização igualitária da demanda, realização adequada de diagnósticos, centralização e concentração, aumento da participação dos usuários nos programas e novos parâmetros institucionais;




Resp.:b

terça-feira, 11 de maio de 2010

Período Colonial



“As colônias não podem esquecer jamais o que devem à mãe-pátria pela prosperidade de que desfrutam. Devem, por conseqüência: dar à metrópole maior mercado aos seus produtos, dar ocupação ao maior número de seus manufatureiros, artesãos e marinheiros; fornecer uma maior quantidade de artigos que ela precisa."
Postlethwayt (1747)

COLONIZAÇÃO: VISÃO GERAL

A descoberta do Brasil foi apenas um dos episódios que marcaram o grande movimento expansionista ibérico dos séculos XV e XVI e que permitiram a esses países o controle de vastas regiões da Ásia, África e América. Embora a exuberância natural de sua conquista americana entusiasmasse os portugueses, parecendo suficientemente promissora para justificar as renhidas disputas e controvérsias mantidas com os espanhóis, os melhores esforços lusitanos permaneceram voltados sobretudo para o Oriente, cuja riqueza acenava com a satisfação imediata de seus anseios.
Assim, nas três primeiras décadas após o descobrimento, o Brasil viu-se relegado a uma posição bastante secundária no Império Colonial Português. Frustrada a expectativa de obtenção de riquezas minerais que o sucesso espanhol havia alimentado, o pau-brasil apresentou-se como único produto passível de encontrar aceitação lucrativa no mercado internacional. Sua exploração, arrendada a comerciantes portugueses, foi organizada no sistema de feitorias fortificadas que se instalavam ao longo do litoral, aproveitando a mão-de-obra indígena.
A partir do século XVI, com França, Holanda e Inglaterrra emergindo no cenário europeu como novas potências marítimas, a hegemonia ibérica e seus domínios coloniais viram-se gradativamente ameaçados. No caso especifico do Brasil, a cobiça desses estrangeiros era aguçada pela vulnerabilidade do território frente à imensidão da costa e ao isolamento das feitorias, meros entrepostos comerciais.
Vendo seus interesses prejudicados pelo constante comércio clandestino de pau-brasil (efetuado sobretudo por franceses) e reconhecendo a insuficiência das expedições guarda-costas, a Coroa portuguesa decidiu, em 1530, fomentar a ocupação efetiva das terras brasileiras. O sistema de Capitanias Hereditárias, ou Donatárias, utilizado já no povoamento das ilhas atlânticas, parecia então a melhor maneira de solucionar a questão, sem comprometer o erário régio.
O regime de Capitanias permitiu maior proteção do território, o assentamento das primeiras povoações, o desenvolvimento de novas formas de exploração econômica e o surgimento de uma aristocracia territorial dotada de amplos poderes sobre as populações locais. Contudo, nem todos os donatários mostraram-se dispostos á aventura de ocupar suas terras na América e, os que fizeram, viram-se assoberbados pela magnitude de um empreendimento que freqüentemente superava as forças de que dispunham.
A partir de 1548, a Coroa passou a intervir diretamente na administração da colônia, criando, com o Governo-Geral, um centro de unidade que se opunha ao caráter dissolvente das Capitanias, medida essa acompanhada de uma minuciosa regulamentação dos direitos reais, em consonância com as práticas mercantilistas então vigentes.
Assim, os interesses metropolitanos eram assegurados por uma estrutura jurídico-administrativa que até certo ponto mesclava-se e sobrepunha-se ao poder local, este controlado por uma elite latifundiária que encontrava nas Câmaras Municipais um vigoroso instrumento para ampliar o seu espaço de atuação. Além disso, a complexa dinâmica que se estabeleceu nas relações entre essas duas instâncias privilegiadas de poder e os interesses por elas defendidos tornava às vezes muito difícil fixar com clareza os limites do domínio público e os do privado.
Nos séculos seguintes da colonização, o sistema político-administrativo aqui implantado na primeira metade do século XVI sofreu algumas alterações, sem trazerem, no entanto, transformações que rompessem com o sistema de dominação vigente ou com os ideais que o haviam orientado.
"São tão grandes as riquezas deste novo mundo e da mesma maneira sua fertilidade e abundância, que não sei por qual das coisas comece primeiramente; mas [...] de todas estas coisas o principal nervo e substância da riqueza da terra é a lavoura dos açúcares. "

Ambrósio Fernandes Brandão (1618).

A colonização efetiva do Brasil assentou-se em estruturas que objetivavam promover os interesses comerciais portugueses. Para tal, impunha-se a concentração de recursos e investimentos que mobilizassem a produção em larga escala, de um produto com ampla aceitação no mercado internacional e que pudesse propiciar grandes lucros, os quais deveriam, naturalmente, reverter em beneficio da metrópole.
Instalou-se assim um sistema produtivo baseado no latifúndio monocultor, agroexportador, e no trabalho compulsório. Os interesses do tráfico negreiro, aliados às dificuldades de aproveitamento da mão-de-obra indígena local, impuseram a escravidão africana como a relação de trabalho dominante, ao passo que os altos preços alcançados, as condições favoráveis de cultivo e a experiência anteriormente adquirida pelos portugueses na sua produção tornaram o açúcar o produto ideal para a empresa colonizadora.
A montagem da indústria açucareira era um empreendimento dispendioso, que envolvia altos custos e grande margem de riscos, exigindo esforços conjugados da Coroa lusitana e de particulares; cabiam aos últimos, porém, os maiores encargos pela implantação do sistema, que contou ainda com ativa participação de capitais holandeses.
Embora fosse intentada inicialmente ao sul da colônia, condições mais favoráveis de cultivo e comercialização motivaram logo o deslocamento do centro de produção para litoral nordestino, transformado assim no núcleo de toda a vida colonial.
Por mais de um século e meio a produção do açúcar representou praticamente a única base de sustentação da economia brasileira e, na medida em que absorvia as atenções e recursos, isto significou também a marginalizado e o abandono a que se viram relegadas as demais culturas e regiões que, quando não sucumbiam, vegetavam à sombra do "Mundo do Açúcar".
A natureza e a dinâmica do sistema colonial produziram também aqui uma sociedade que, permeada em todos os níveis pela relação senhor-escravo, tendia a polarizar-se, desenvolvendo um caráter marcadamente hierárquico, aristocrático e patriarcal.
Os senhores de engenho formavam a camada privilegiada dessa sociedade; seu poder ultrapassava os limites do círculo doméstico, atingindo freqüentemente extensa clientela. A esses "homens-bons", como eram então denominados, cabia também o privilégio de atuar nas Câmaras Municipais, importante instrumento da política local.
Por mais poderosa que fosse, no entanto, essa aristocracia canavieira mantinha-se presa às malhas do sistema: devia submeter-se à orientação econômica e administrativa da metrópole (cujos interesses nem sempre se harmonizavam com os seus) e confinar-se, em última instância, á sua função colonial. Também relativamente pequena era a sua participação nos lucros da empresa açucareira, carreados em sua maior parte para Portugal e, sobretudo, para a Holanda, responsável pelo refino e distribuição do açúcar nas praças européias.
O século XVII marcou o apogeu e também a decadência dessa economia, estando ambos os fenômenos intimamente relacionados ao que se convencionou chamar a "Guerra do Açúcar". De fato, a grande importância assumida pelos lucros oriundos da comercialização desse produto ficou evidenciada pela ocupação flamenga do nordeste açucareiro (1630-1654), movimento esse que, inserido num processo mais amplo de disputas internacionais (independência dos Países Baixos, lutas pela hegemonia na Europa e pela expansão colonial de novas potências), encontrou sua motivação imediata nos entraves que a União Ibérica (1580-1640) estabelecia à participação holandesa no comércio açucareiro.
Livres da intermediação portuguesa, submetendo diretamente algumas das principais áreas de produção açucareira no Brasil, os holandeses puderam controlar todo o processo de fabricação, beneficiamento e distribuição do produto; a aplicação de capitais e de algumas melhorias técnicas permitiram-lhes também elevar consideravelmente a produtividade, de modo que, em meados do século XVII, o "Brasil Holandês" transformara-se no maior produtor mundial de açúcar e a rentabilidade dessa empresa alcançara níveis nunca antes atingidos. Apesar disso, e de fomentar um breve surto urbanistico-cultural na região, o domínio flamengo não trouxe transformações significativas ou duradouras à vida colonial brasileira, preservando aquelas estruturas fundamentais que a vinham sustentando havia mais de um século.
Com a Restauração lusitana (1640) e a expulsão definitiva dos holandeses (1654), a economia açucareira do nordeste brasileiro entrou num continuo processo de crise e decadência. A União Peninsular legara a Portugal uma situação econômica desastrosa, acentuada pela perda de vastas áreas de seu Império Colonial. Por outro lado, ao deixarem o Brasil os holandeses dispunham de capitais, conhecimento e experiência que tomaram possível a implantação e o desenvolvimento de uma indústria açucareira em suas colônias antilhanas, concorrendo em condições muito mais favoráveis que as do produto brasileiro no mercado internacional.
Mesmo assim, o tripé - latifúndio, monocultura exportadora e escravidão - manteve-se como elemento fundamental de nossa economia até finais do século XIX, sobrevivendo mesmo, em certos aspectos, até hoje.

Documentos
Estímulos ao povoamento
Os imperativos mais amplos da colonização exigiam que o Brasil fosse rapidamente povoado por portugueses, necessidade que levou a Coroa a fomentar de diversas formas esse povoamento, recorrendo mesmo aos elementos considerados indesejáveis na sociedade metropolitana.

a] “Ordenou o dito senhor que daí em diante as pessoas que, por seus malefícios, segundo as ordenações, houvessem de ser degredadas para a ilha de S. Tomé, pelo mesmo tempo fossem degredadas para o Brasil.” (Alvará de 31/05/1535)
b] “Ordenou o dito senhor que os moços vadios de Lisboa, que andam na ribeira a furtar bolsas e fazer outros delitos, a primeira vez que fossem presos, se depois de soltos tornassem outras vez a ser presos pelos semelhantes casos, que qualquer degredo que lhe houvesse de ser dado fosse para o Brasil.” (Alvará de 06/05/1536)

Ouro Preto - Casa do inconfidente Cláudio Manoel da Costa...EU ESTIIVE LÁ EM ABRIL!




sexta-feira, 7 de maio de 2010

REVOLTAS NATIVISTAS


ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO

No ano de 1640, ocorreu a Restauração Portuguesa, isto é, o final da União Ibérica, quando Dom João VI assumiu o trono português, iniciando a dinastia de Bragança.
A notícia foi recebida festivamente nas principais cidades brasileiras. Em São Paulo, porém, a população teve reação diferente, seja porque pretendia manter o comércio com a região do rio da Prata (controlado pela Espanha), seja porque a Coroa Portuguesa vinha reprimindo a escravidão indígena (mão de obra essencial para os paulistas). Grande número de pessoas se dirigiu até a casa de um dos mais ricos habitantes da vila. Amador Bueno, aclamando-o “rei de São Paulo”.
Declarando-se fiel ao rei de Portugal, Amador Bueno não aceitou a coroa que lhe era oferecida. Dias depois, as autoridades pacificaram a população.

CONJURAÇÃO do “NOSSO PAI”

O governador de Pernambuco, Jerônimo de Menfonça Furtado, era antipatizado pelo povo, descontente com o seu mau governo. Para tirá-lo do poder, os pernambucanos simularam, em 9 de março de 1666, uma procissão semelhante às que levavam a extrema-unção (hoje unção dos enfermos) aos moribundos – as chamadas procissões de “Nosso Pai”. O governador acompanhou a procissão e, quando esta já havia de afastado do palácio, foi aprisionado pelo chefe da revolta, André de Barros Rego. Jerônimo de Mendonça Furtado foi levado preso para Lisboa, de onde seguiu para a Ásia, onde foi condenado à prisão perpétua.

REVOLTA DE BECKMAN

No século XVII, a situação econômica do Maranhão era bastante difícil, devido à enorme escassez de mão-de-obra para a lavoura canavieira. Para resolver o problema, os colonos maranhenses lançaram mão da escravidão indígena, sob os protestos dos jesuítas.
Na tentativa de solucionar os graves problemas econômicos da região, a Coroa Portuguesa criou a Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, com o monopólio sobre a venda de trigo, azeite, vinho, bacalhau e sobre o transporte de todas as importações e exportações. A Companhia ficou ainda responsável por introduzir na área 10 mil negros, à razão de 500 por ano.
Devido ao não cumprimento dos acordos por parte da Companhia, comerciantes e proprietários rurais maranhenses, chefiados pelos irmãos Manuel e Tomás Beckman e por Jorge Sampaio, passaram a lutar pela extinção da Companhia de Comércio e pela expulsão dos jesuítas, depuseram as autoridades locais e formaram uma junta de governo rebelde.
Tomás Bekman partiu para Lisboa, a fim de informar o rei sobre os abusos da Companhia. Lá chegando, foi preso e reconduzido ao Maranhão, onde Gomes Freire – novo governador indicado por Portugal – iniciava a repressão ao movimento.
Atuando com firmeza, Gomes Freire recolocou no poder as autoridades depostas e capturou os rebeldes. Manuel Beckman e Jorge Sampaio foram enforcados e Tomás Beckman exilado na África. Os jesuítas voltaram e a Companhia de Comércio foi reativada.

GUERRA DOS EMBOABAS

Como vimos anteriormente, os bandeirantes paulistas encontraram ouro nas Gerais.
Assim que a notícia se espalhou, milhares de aventureiros fluíram para a região.
Os forasteiros passaram a ser chamados pejorativamente de “emboabas”. Essa palavra indígena, de significado discutível, parece referir-se ao fato de os forasteiros protegerem as pernas e os pés com botas ou rolos de pano, parecendo-se com ave de pernas emplumadas.
Não tardou paulistas e “emboabas” entrarem em conflito.
Os paulistas tinham em Manuel de Borba Gato o seu principal líder, enquanto o rico comerciante português Manuel Nunes Viana liderava os “emboabas”.
Os paulistas foram sofrendo vários reveses. O mais repugnante ocorreu no local chamado “Capão da Traição”, quando o chefe “emboaba” Bento do Amaral Coutinho prometeu respeitar a vida dos paulistas que entregassem as armas. Quando estes entregaram as armas, foram impiedosamente massacrados.
A guerra durou dois anos (1708/1710) e teve enormes bandos em luta. Milhares de mortos. A historiografia oficial dirá que foi uma das primeiras lutas nativistas no Brasil. Os paulistas pretendiam livrar-se de Portugal. Na verdade, queriam apenas ouro. Tão alheios ao Brasil como os emboabas. A conseqüência maior dessa guerra é a consciência do governo português de organizar uma melhor administração, criando a capitania das Minas do Ouro, separada do Rio de Janeiro.
Não há índices ou documentos que demonstrem porque índios e negros lutaram pelos interesses dos brancos, a não ser vagos depoimentos a posteriori sobre a “abnegação e fidelidade” dos escravos.


GUERRA DOS MASCATES

Com a invasão holandesa, Recife passou a ser a principal cidade de Pernambuco, embora a capital continuasse em Olinda.
Acontece que em Olinda viviam os decadentes senhores de engenho, cada vez mais endividados. Enquanto isso, os comerciantes de Recife prosperavam. Despeitada, a aristocracia olindense passou a chamar os comerciantes, pejorativamente, de mascates.
Em 1709, o rei de Portugal, D. João V, elevou Recife a município e o Capitão-mor Sebastião de Castro e Caldas mandou erguer o pelourinho (símbolo do poder municipal). Este fato irritou profundamente os senhores de engenho de Olinda.
Os olindenses invadiram Recife e destruíram o pelourinho. O Governador Castro Caldas fugiu.

Para garantir suas posses, os senhores brasileiros fizeram a guerra. Não deixa de ser interessante que, durante o conflito, nas várias situações em que a derrota e a vitória trocam de lado, o grande latifundiário Bernardo Vieira de Melo propõe a proclamação de uma república em Olinda. Segundo sua proposta, Olinda seria uma república independente. Nada se efetivou, mas é significativo que os conservadores apelem, vez por outra, a formas progressistas de governo, procurando manter anacrônicos conteúdos econômicos e sociais; no caso, apela-se à república para preservar o latifúndio e o regime servil.
Os grandes senhores “nativistas” perderam a guerra, mas não a pose. Uma de suas exigências para fazer a paz foi que nenhuma propriedade fosse executada judicialmente. Quer dizer, não pagariam as suas dívidas nem entregariam seus engenhos falidos. Os mascates, pressionados por Lisboa, aceitaram.
Garantida a posse e certos de não serem cobrados judicialmente, os nobres senhores aceitaram Recife como capital, com o famoso “jeitinho brasileiro”; o capitão-mor deveria morar seis meses em Recife e seis meses em Olinda...
E tudo ficou igual.

MOTINS DO MANETA

Nos últimos meses de 1711, ocorreram duas sublevações populares na Bahia. A razão do primeiro motim, chefiado pelo negociante João Figueiredo da Costa, apelidado o Maneta, foi um aumento de impostos decretado pelo governo. A multidão, formada principalmente por portugueses, avançou contra o palácio do governador Pedro de Vasconcelos e Sousa, que atendeu aos pedidos da massa popular. Todos os participantes da revolta foram anistiados.
Pouco tempo depois, ocorreu outro motim na Bahia, quando a esquadra francesa do corsário Duguay-Trouin ocupou o Rio de Janeiro. Os revoltosos queriam a organização imediata de uma expedição para combater os invasores. O governador Pedro de Vasconcelos conseguiu contornar a situação até os franceses deixarem o Rio de Janeiro.

REVOLTA DE FELIPE DOS SANTOS

A Coroa Portuguesa decidiu criar, em 1719, as casas de fundição, a fim de recolher e transformar em barras todo o ouro encontrado, para extrair o quinto e evitar o contrabando. Prevendo o descontentamento e uma possível revolta, foi enviada a Minas uma tropa dos “dragões da cavalaria”, comandada pelo Conde de Assumar, terceiro governador da recém-criada Capitania de São Paulo e Minas do Ouro.
Contra tais decisões do governo, ocorreu em Vila Rica a revolta de 1720, chefiada por membros influentes da comunidade mineira e tendo como principal mentor Felipe dos Santos, homem humilde, porém, grande orador.
Os rebeldes entregaram um documento ao governador fazendo as seguintes exigências:
· redução dos impostos;
· suspensão da medida que determinava a obrigatoriedade da fundição do ouro;
· extinção dos monopólio da carne, aguardente, fumo e sal.
O Conde de Assumar fingiu atender às reivindicações dos rebeldes e, assim que os ânimos serenaram, agiu rapidamente. Ocupou Vila Rica, prendeu e enforcou Felipe dos Santos.
A rebelião foi reprimida, porém contribuiu para acelerar o processo de tomada de consciência do povo contra a dominação portuguesa.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Para que serve a Filosofia



“O filósofo se desapega de seus preconceitos para compreender a realidade”
Você conhece algum filósofo? Ou entende por que uma pessoa escolhe por livre e espontânea vontade ser filósofo?

Você sabe qual é o trabalho desse profissional? Onde trabalha? Ou simplesmente a que se propõe?

Para quem não tem a menor idéia dessas respostas e lembra vagamente do filósofo como aquele ser mitológico amante do conhecimento, é bom tomar cuidado. Filósofos modernos existem sim, mas eles andam se escondendo (talvez no fundo de uma caverna de Platão) dentro das universidades, atrás de métodos, teorias, histórias e outros assuntos afins. Raramente eles dão as caras para analisar o mundo real, a fonte e a inspiração de seu conhecimento.
“Ocorreu uma profissionalização da filosofia para além daquilo que seria necessário, uma especificação muito grande, com uma perda do todo, do real”, explica o professor Paulo Ghiraldelli, livre-docente em filosofia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Mesmo que você não perceba, está a todo momento pisando em filosofia, seja nos filmes a que assiste, nos livros e jornais que lê e até na televisão. As análises diretas e indiretas de tudo são na verdade um exercício de filosofia, nas quais o conhecimento filosófico ajuda muito. “Não é à toa que a sociedade está buscando esse conhecimento fora da universidade, em cursos livres, debates e livros”, acrescenta Ghiraldelli.

Pensamento livre

A filosofia é como uma ferramenta para o pensamento de base. “O filósofo é um livre-pensador que se desapega de seus preconceitos para compreender a realidade na sua diversidade e multiplicidade”, explica Ricardo Monteagudo, coordenador do curso de filosofia da Unesp.
Se ainda assim é difícil entender para que serve essa tal filosofia, vale lembrar o quanto da nossa realidade nasceu de estudos filosóficos, por meio de questionamentos de ontologia (da ordem do que existe e por que existe), de ética (nosso senso de justiça, de moral, de responsabilidade), de lógica (para a organização do discurso, da matemática, do pensamento), sobre o conhecimento (o processo cognitivo e de aprendizado) e sobre a estética (não só do que apreendemos como belo e por que o fazemos, mas também aquilo que entendemos como arte). A filosofia está à nossa
volta.
Para que serve a filosofia. Galileu: Editora Globo, n. 169, p. 70, ago. 2005.

Conceitos Básicos de Sociologia



Contatos sociais

Primeiro passo para qualquer associação humana, pois a convivência humana pressupõe uma variedade de formas de contato. É a base da vida social.
02 Tipos:
Primários - Contatos pessoais diretos. Forte base emocional.
Secundários - São os contatos impessoais, formais .
Contexto Industrialização / urbanização predomina contatos secundários. Proximidade física não significa necessariamente proximidade afetiva.
Isolamento social - caracterizado pela ausência dos contatos sociais ( atitudes de ordem social e atitudes de ordem individual ).

Interação social
O simples contato não é suficiente para que haja interação social. È preciso que haja mudança do comportamento dos indivíduos envolvidos como resultado do contato e da comunicação que se estabelece.
“ Processo de influência recíproca ou unilateral entre dois ou mais agentes sociais”.
Reciprocidade – proximidade dos agentes sociais , contato direto ou quando há possibilidade de reação por parte dos agentes envolvidos no processo
Unilateral - não há necessidade do contato direto nessa interação e um dos agentes influencia, mas não pode é influenciado pelo outro

Relação Social
Dá se o nome de relação social as diferentes formas da interação social . Relação econômica, relação pedagógica,relação familiar.

Processos Sociais

Diversas maneiras pelas quais os indivíduos e os grupos atuam uns com os outros. A forma como os indivíduos se relacionam e estabelecem relações sociais.
Processos sociais - são diferentes formas de interação. Interação é processo social geral.
Ação entre dois ou mais agentes contribuindo para aproximá-los ou afastá-los.
Classificação:
coesivos ou positivos ( cooperação, acomodação e assimilação)
disjuntivos ou negativos ( competição e conflito)

Cooperação
Não pode haver sistema social sem um mínimo de cooperação. Muitas vezes não há clareza dos processos sociais cooperativos.
È a forma de interação na qual diferentes pessoas, grupos ou comunidades trabalham juntos para um mesmo fim.
Cooperação Þ consenso a respeito de metas culturalmente legítimas, valores , crenças e normas coletivas.
Cooperação nem sempre o consenso está presente. Pode resultar da existência de interesses e objetivos diferentes mas complementares. Ex: classes sociais
“Cooperação existe quando a troca resulta satisfatória para ambas as partes”
Ex: categoria detém serviços imprescindíveis Þ Maior poder de barganha. Poder de barganha pequeno Þ nível de insatisfação alto.
O equilíbrio e a cooperação do sistema interativo Þ concessões da categoria social dominante.

Acomodação
È o processo social em que o indivíduo, grupos ou categorias em interação não compartilham metas, crenças, atitudes e padrões de comportamento, mas convivem pacificamente. Para evitar o conflito as categorias sociais minoritárias simulam um comportamento que não corresponde ao seu acervo sóciocultural.
Não há uma transformação de pensamento, sentimentos e atitudes. Mudanças são exteriores, manifestam apenas enquanto comportamento social.
Ajustamento de indivíduos ou grupos apenas nos aspectos externos do seu comportamento.

Assimilação
É o processo através do qual indivíduos, grupos ou categorias de culturas diferentes permutam os seus respectivos acervos/bagagem culturais .
EX: Miscigenação. Conversão
Implica transformações internas nos indivíduos. Envolvem mudanças na maneira de pensar, de sentir e agir.

Competição
Ocorre quando vários indivíduos buscam alcançar um objetivo que pode ser alcançado por todos ou pela sua maioria.

Conflito
Geralmente ocorre quando indivíduos, grupos ou categorias sociais tem interesse ou objetivos incompatíveis entre si.
Inibição do conflito
Þ dominação das categorias detentoras de maior participação no processo de distribuição social da riqueza e do poder
Þ nível suficiente de satisfação no processo de troca entre categorias sociais com interesses distintos
Tipos de conflitos: étnicos, terra, religiosos , políticos.

COMPARATIVO:
Competiçao
forma de luta pela sobrevivência
pacifica, inconsciente, impessoal


Conflito
forma de rivalidade
disputa, guerra, violência
consciente, pessoal

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Questão de HIstória da semana



Intelectual e político, Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente do Brasil a se reeleger para um segundo mandato consecutivo, em 1998. Como ministro da Fazenda em 1994, foi responsável por comandar a equipe que elaborou o plano econômico que criou uma nova moeda, o real. Mas seu governo pode também ser marcado:
a) Pelo desenvolvimento do pleno emprego, fato que levou o Brasil a apagar a “década perdida”.
b) Pela implementação de um forte funcionalismo público, já que no seu governo aumentou o número de trabalhadores na rede estatal.
c) Pelo grande crescimento do superávit primário, sobretudo pelos lucros obtidos pela Vale do Rio Doce, principal empresa estatal do governo FHC.
d) Pela diminuição das greves e da atuação do MST que contentaram-se com a reforma agrária introduzida neste período.
e) Pelo maior índice de desemprego da história do Brasil, fato que ajudou a eleição do seu maior opositor.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Semana Importante


Semana com 4 dias de grande importância para a história.


Ontem 19/04 - Dia do Índio

Amanhã 21/04 - Morte de Tiradentes e aniversário de Brasília

Quinta 22/04 - Achamento do Brasil


Abaixo um texto sobre a ocupação portuguesas nas terras índigenas.



As Guerras dos Bárbaros ou A Guerra do Açu


A princípio o denominado Sertão do Açu compreendia toda ribeira do rio com este nome e a ribeira posteriormente chamada de Seridó, recorte espacial reputado como possuidor de grandes campos frescos e salubres, onde muito gado podia ser criado. Sua colonização começou no final da década de 1670 e início de 1680. Ocupavam originalmente essa região os nativos tapuias, na sua grande maioria pertencentes à nação dos janduís. Esta porção interior da Capitania do Rio Grande foi tocada inicialmente, pela empresa colonizadora, por vaqueiros que ali fabricavam currais e viviam em relativa paz com os primitivos habitantes.
Contudo, essa paz duraria muito pouco e está região seria palco das mais sangrentas batalhas e atrocidades cometidas ao longo das Guerras dos . Levantes isolados de grupos indígenas precederam o movimento que tomaria maiores dimensões e seria denominado na época como a Guerra do Açu.
Mesmo sendo difícil datar o início destas revoltas e levantes, é possível que os motivos da revolta remontam dos abusos de João Fernandes Vieira, Capitão-mor da Paraíba (1655–1657), quando este prendeu os dois filhos de Canindé, tido como "rei dos janduís".
As razões mais profundas podem ser encontradas na expulsão dos holandeses - fiéis aliados dos indígenas tapuias -, além do avanço da economia pastoril que promovia a ocupação das terras dos nativos, além do que, o sertão do Açu foi alvo da migração de pessoas vindas das demais províncias do Norte em fuga de um surto epidêmico de febre amarela. Diante desse panorama, os tapuias sentiram-se usurpados e resolveram reagir.
Por volta de 1661, cresceu a hostilidade dos tapuias, metendo medo no novo capitão-mor da Paraíba, Matias de Albuquerque Maranhão (1661–1663), o que escreveu imediatamente para a regente D. Luísa de Gusmão, avisando que os índios bárbaros haviam se rebelado causando grande receio à população branca do sertão. Por conseguinte, em 1662, a regente ordenou que fizesse guerra contra os janduís, antes que estes se fortalecessem.
Os conflitos com os tapuias se espalharam por todo sertão atingindo territórios dos atuais estados do Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. No Rio Grande, região do Açu, os conflitos persistiram, uma vez que as nações tapuias estavam causando danos e dando cabo aos colonizadores e vaqueiros além de matar e comer o seu gado.
Não controlando a rebeldia dos nativos, por volta de 1687, os edis da vila de Natal, pediam ao governador de Pernambuco, João da Cunha, ajuda para combater os tapuias que, no sertão do Açu já tinham matado cerca de cem pessoas, além de destruírem tudo o que encontravam.
Em pouco tempo os tapuias fizeram-se senhores, novamente, de todo sertão ameaçando inclusive os colonos na ribeira do Ceará Mirim. Tal proximidade com a sede da Capitania colocava em perigo os moradores de Natal. Houve então a necessidade da vinda de socorro da Bahia. A solução encontrada pelo Governador Geral foi autorizar o envio de duas Companhias que partiram sob o comando do Coronel Antônio de Albuquerque Câmara.
No que tange ao Seridó, na ribeira do Acauã, chega em 1687 o coronel Antônio de Albuquerque da Câmara, que ali possuía uma sesmaria, para dar combate aos gentios, usando como base militar a casa-forte do Cuó, cujos alicerces ainda podem ser encontrados em Caicó.
No entanto, esta expedição resultou em um enorme fracasso, fazendo com que os moradores da Capitania do Rio Grande ficassem bastante abalados a ponto de ameaçarem "despejar a Capitania". Essa decisão dos moradores fez com que o capitão-mor do Rio Grande baixasse um edital para impedir o êxodo em massa, alertando a população dos possíveis danos que sofreriam se abandonasse a capitania.
Diante do caos, o Governo Geral pediu que o paulista Domingo Jorge Velho marchasse de Pernambuco com todas as forças que conseguisse mobilizar, pois cria que suas tropas, moldada no combate ao gentio, seria capaz de vencer os rebelados, um vez que eram bem organizadas, ao contrario das tropas pernambucanas reunidas por Albuquerque Câmara e Manuel de Abreu Soares.
No início de 1688, Matias da Cunha já havia escrito aos edis de São Paulo, alertando para o fato de que o Rio Grande se achava oprimido pelos bárbaros. Ele também escreveu à mesma Câmara afirmando que das fronteiras chegavam avisos de que as tropas não se atreviam a investir contra os índios nas suas aldeias, e que estes chegaram até mesmo a cercar os quartéis onde estavam Domingos Jorge Velho Antônio e Albuquerque Câmara, que pelejando quatro dias com os bárbaros, por falta de munições, tinham se retirado dos quartéis.
O acampamento do sertanista situava-se na ribeira do Piranhas, fronteira com a Paraíba. Combateu no Seridó sem, no entanto, participar da última batalha da guerra cujo palco foi o Acauã. Ali ficou sob o comando das tropas, um cabo de seu terço, que "derrotou o gentio (...) e trouxeram mil e tantos prisioneiros" . Neste combate teria sido preso o cacique Canindé, que em 1692 firmou um acordo de paz com os portugueses.
Segundo as informações do Capitão-mor do Rio Grande, Agostinho César de Andrade, em 1689 os bárbaros haviam se fracionado. Todavia, alguns janduís, chamados Panatis, resolveram continuar as hostilidades obstinadamente, enquanto outros negociaram as pazes.
Mesmo essa iniciativa não foi suficiente para os colonos, pois uma onda de pavor se espalhou entre aqueles que acreditavam que os tapuias tivessem pedido a paz para dela se aproveitar, preparando assim, uma ofensiva final.
Domingos Jorge Velho, continuou na peleja com os índios pelo menos até o final de 1689. Com efeito, em outubro, seu sargento-mor obtivera uma importante vitória sobre os bárbaros, que resulta na captura do principal janduí, Canindé.
A paz não foi uma conquista imediata. Alguns fatores conspiram a favor da instabilidade: negligência para com as tropas de Matias Cardoso; o atraso no pagamento dos soldos, que foi tratado apenas em 1693, deixando os soldados em desespero por causa da situação de desamparo que os desanimava. Corria-se desta forma o risco um motim desses soldados visto que já que a fazenda da capitania não dispunha mais de recursos para investir na guerra, sendo assim, os esforços de paz corriam sérios riscos.
Ainda em 1693, Matias Cardoso atacou os índios do Ceará, não alcançando muito êxito. Em 1695 estavam terminadas as atividades formais da Campanha dos paulistas.
Em 1694 João de Lencasto assumiu o Governo Geral na Bahia com o interesse de solucionar a Guerra dos Bárbaros. Em carta ao Capitão-mor do Rio Grande sugeriu para por fim às guerras que se procurasse a paz acima de tudo.
Na tentativa de arrefecer a rebelião dos tapuias fortaleceu-se a idéia de que era necessário o repovoamento co a ocupação perene das regiões fronteiriças. Para este feito as medidas foram tomadas. A determinação ordenava que em Açu, Jaguaribe e Piranhas se pudessem seis aldeias de índios. A importância dessa medida foi destacada por Lencastro de duas maneiras: de um lado a razão militar visto que essas aldeias amigas seriam importantes para a defesa das fronteiras; por outro lado o sistema econômico das lavouras açucareiras dependia do fluxo de animais de corte provindos desses sertões. Sendo assim, o cordão defensivo das aldeias, além do povoamento iria reconstruir a economia local e garantir a segurança.
Além dessa alternativa ganhava corpo outra que considerava a idéia de se chamar o terço Paulista para intervir já que tentar fazer as pazes com os tapuias era considerado um esforço de muito risco. Portanto, estavam postas na mesa duas saídas: a paz com os índios através do povoamento, ou a guerra continuada em bases militares.
A decisão tomada e aceita pelo rei em 10 de Março de 1695, foi de contratar o terço de paulistas, patrocinando-os e executando a lei de 1641 que possibilitava que esses "soldados" poderiam fazer os índios de cativos, no lucrativo comércio de escravos.
Os moradores do Rio Grande, associados à açucocracia de Pernambuco eram partidários de uma solução pacífica tendo como aliado o capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, que achava que "só por meio da paz podia haver quietação". Na visão do capitão-mor, o melhor a fazer era um presídio na Ribeira do Açu, e os cordões de aldeias para povoarem as fronteiras. Sua iniciativa era contrária àquela articulada na Bahia, indicando que o levaria a uma colisão com o terço dos paulistas.
Os argumentos de Bernardo Vieira de Melo não surtiram efeitos para coroa, que já puseram em marcha a máquina de guerra paulista, comandada pelo meste-de-campo Manuel Alvares de Morais Navarro, que distribuiu patentes a ele e a todo o terço que fizeram parte deste levante. Navarro e sua gente partiram para Bahia de onde o terço saiu em direção a Paraíba. Após oito meses (10 de maio de 1699) juntaram-se a esse terço os capitães Manuel da Mata Coutinho e Manuel de Siqueira Rondon, acompanhados de setenta soldados.
As tensões permaneceram até que as pazes foram sendo tecidas pouco a pouco e o trabalho de sedentarização dos índios foi sendo orquestrado pela Coroa.

REFERÊNCIAS:

MACÊDO, M. História e espaço seridoenses entre os séculos XIX e XX. Mneme – Revista Virtual de Humanidades. CERES. Vol. 01, n.01. p.01-50. 2000.

PUNTONI, P. A Guerra do Açu. In: - A Guerra dos Bárbaros – povos indígenas e a colonização do sertão nordeste do Brasil, 1650-1720. S. Paulo, 1998.254p, Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP. (CAP. 04).

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A ilha da Páscoa

Por Rubem Alves


A Ilha de Páscoa está localizada no sul do Pacífico, em um local esquecido no meio do mar. Foi avistada por europeus em um domingo de Páscoa, em 1722. Ao contrário da maioria das ilhas daquela parte do mundo, o terreno não tinha grandes árvores e a grama era tão seca que, à distância, parecia areia. Os viajantes foram recebidos por uma comitiva de nativos em canoas frágeis e ao desembarcar ficaram surpreendidos com os grandes moais, gigantescas estátuas de pedra esculpidas na forma de rostos humanos, espalhadas pelo litoral, como se vigiassem o alto-mar.Ainda hoje a ilha é cercada por uma nuvem de mistério. A chave do mistério é revelada ao voltarmos à época da chegada dos primeiros polinésios, a cerca de 1400 anos. Vindos do oeste, os Rapanui encontraram um pequeno paraíso.Eram 166 quilômetros quadrados cobertos por uma densa floresta subtropical que crescia sobre o fértil solo de origem vulcânica. A fauna local permitia uma dieta muito rica para os moradores. Carne de golfinho, de foca e de 25 tipos de aves selvagens que eram assados com a lenha retirada da floresta. É o que mostram escavações arqueológicas em antigos sítios ocupados, graças a essa biodiversidade o número de habitantes aumentou bastante.Boa parte dos recursos locais era gasta na intensa produção e no transporte de estátuas. Para movê-las, dezenas de pessoas utilizavam cordas e uma espécie de trenó feito de palmeiras e arrastavam os moais por 14 quilômetros até o litoral. A partir de 1200, a produção entrou em um ritmo mais acelerado e que durou pelos 300 anos seguintes, sendo preciso cada vez mais madeira, cordas e alimentos. Por volta de 1400, a floresta já não existia e a última palmeira foi cortada, extinta com outras 21 espécies de plantas nativas. Assim, não havia mais madeira e cordas para o transporte de moais nem troncos resistentes para a construção de barcos para a pesca em alto-mar.Assim a pesca diminuiu. As colheitas também foram prejudicadas com o desmatamento e com o habitat devastado todas as espécies de aves foram extintas.Todos esses fatores causaram uma grave falta de alimentos e o número de habitantes foi reduzido a um décimo dos 20 mil que habitaram a ilha no seu auge. E sem comida, os Rapanui apelaram para o canibalismo. Em vez de ossos de pássaros ou de golfinhos, passou-se a encontrar ossos humanos nas escavações de moradias desse período. Muitos deles foram quebrados para se extrair o tutano.O canibalismo cometido pelos nativos serve como exemplo do que pode acontecer quando o meio ambiente é explorado até o limite e o seu equilíbrio é afetado: a civilização que depende de seus recursos é levada ao colapso. Ela se devora a si mesma, "canibalisticamente". E serve de lição para nossa geração que está vivendo as consequências do crescimento econômico, tal como aconteceu com os moradores da ilha de Páscoa. Eles viram a destruição da natureza que suas atividades estavam produzindo mas não tiveram a sabedoria de parar.Seremos nós construtores de moais? O crescimento econômico e o crescimento tecnológico não serão os fantásticos moais que estamos construindo?

Professor carrega policial ferido. O mundo bizarro de José Serra


Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.Inesquecível, Serra, inesquecível.