terça-feira, 20 de abril de 2010

Semana Importante


Semana com 4 dias de grande importância para a história.


Ontem 19/04 - Dia do Índio

Amanhã 21/04 - Morte de Tiradentes e aniversário de Brasília

Quinta 22/04 - Achamento do Brasil


Abaixo um texto sobre a ocupação portuguesas nas terras índigenas.



As Guerras dos Bárbaros ou A Guerra do Açu


A princípio o denominado Sertão do Açu compreendia toda ribeira do rio com este nome e a ribeira posteriormente chamada de Seridó, recorte espacial reputado como possuidor de grandes campos frescos e salubres, onde muito gado podia ser criado. Sua colonização começou no final da década de 1670 e início de 1680. Ocupavam originalmente essa região os nativos tapuias, na sua grande maioria pertencentes à nação dos janduís. Esta porção interior da Capitania do Rio Grande foi tocada inicialmente, pela empresa colonizadora, por vaqueiros que ali fabricavam currais e viviam em relativa paz com os primitivos habitantes.
Contudo, essa paz duraria muito pouco e está região seria palco das mais sangrentas batalhas e atrocidades cometidas ao longo das Guerras dos . Levantes isolados de grupos indígenas precederam o movimento que tomaria maiores dimensões e seria denominado na época como a Guerra do Açu.
Mesmo sendo difícil datar o início destas revoltas e levantes, é possível que os motivos da revolta remontam dos abusos de João Fernandes Vieira, Capitão-mor da Paraíba (1655–1657), quando este prendeu os dois filhos de Canindé, tido como "rei dos janduís".
As razões mais profundas podem ser encontradas na expulsão dos holandeses - fiéis aliados dos indígenas tapuias -, além do avanço da economia pastoril que promovia a ocupação das terras dos nativos, além do que, o sertão do Açu foi alvo da migração de pessoas vindas das demais províncias do Norte em fuga de um surto epidêmico de febre amarela. Diante desse panorama, os tapuias sentiram-se usurpados e resolveram reagir.
Por volta de 1661, cresceu a hostilidade dos tapuias, metendo medo no novo capitão-mor da Paraíba, Matias de Albuquerque Maranhão (1661–1663), o que escreveu imediatamente para a regente D. Luísa de Gusmão, avisando que os índios bárbaros haviam se rebelado causando grande receio à população branca do sertão. Por conseguinte, em 1662, a regente ordenou que fizesse guerra contra os janduís, antes que estes se fortalecessem.
Os conflitos com os tapuias se espalharam por todo sertão atingindo territórios dos atuais estados do Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. No Rio Grande, região do Açu, os conflitos persistiram, uma vez que as nações tapuias estavam causando danos e dando cabo aos colonizadores e vaqueiros além de matar e comer o seu gado.
Não controlando a rebeldia dos nativos, por volta de 1687, os edis da vila de Natal, pediam ao governador de Pernambuco, João da Cunha, ajuda para combater os tapuias que, no sertão do Açu já tinham matado cerca de cem pessoas, além de destruírem tudo o que encontravam.
Em pouco tempo os tapuias fizeram-se senhores, novamente, de todo sertão ameaçando inclusive os colonos na ribeira do Ceará Mirim. Tal proximidade com a sede da Capitania colocava em perigo os moradores de Natal. Houve então a necessidade da vinda de socorro da Bahia. A solução encontrada pelo Governador Geral foi autorizar o envio de duas Companhias que partiram sob o comando do Coronel Antônio de Albuquerque Câmara.
No que tange ao Seridó, na ribeira do Acauã, chega em 1687 o coronel Antônio de Albuquerque da Câmara, que ali possuía uma sesmaria, para dar combate aos gentios, usando como base militar a casa-forte do Cuó, cujos alicerces ainda podem ser encontrados em Caicó.
No entanto, esta expedição resultou em um enorme fracasso, fazendo com que os moradores da Capitania do Rio Grande ficassem bastante abalados a ponto de ameaçarem "despejar a Capitania". Essa decisão dos moradores fez com que o capitão-mor do Rio Grande baixasse um edital para impedir o êxodo em massa, alertando a população dos possíveis danos que sofreriam se abandonasse a capitania.
Diante do caos, o Governo Geral pediu que o paulista Domingo Jorge Velho marchasse de Pernambuco com todas as forças que conseguisse mobilizar, pois cria que suas tropas, moldada no combate ao gentio, seria capaz de vencer os rebelados, um vez que eram bem organizadas, ao contrario das tropas pernambucanas reunidas por Albuquerque Câmara e Manuel de Abreu Soares.
No início de 1688, Matias da Cunha já havia escrito aos edis de São Paulo, alertando para o fato de que o Rio Grande se achava oprimido pelos bárbaros. Ele também escreveu à mesma Câmara afirmando que das fronteiras chegavam avisos de que as tropas não se atreviam a investir contra os índios nas suas aldeias, e que estes chegaram até mesmo a cercar os quartéis onde estavam Domingos Jorge Velho Antônio e Albuquerque Câmara, que pelejando quatro dias com os bárbaros, por falta de munições, tinham se retirado dos quartéis.
O acampamento do sertanista situava-se na ribeira do Piranhas, fronteira com a Paraíba. Combateu no Seridó sem, no entanto, participar da última batalha da guerra cujo palco foi o Acauã. Ali ficou sob o comando das tropas, um cabo de seu terço, que "derrotou o gentio (...) e trouxeram mil e tantos prisioneiros" . Neste combate teria sido preso o cacique Canindé, que em 1692 firmou um acordo de paz com os portugueses.
Segundo as informações do Capitão-mor do Rio Grande, Agostinho César de Andrade, em 1689 os bárbaros haviam se fracionado. Todavia, alguns janduís, chamados Panatis, resolveram continuar as hostilidades obstinadamente, enquanto outros negociaram as pazes.
Mesmo essa iniciativa não foi suficiente para os colonos, pois uma onda de pavor se espalhou entre aqueles que acreditavam que os tapuias tivessem pedido a paz para dela se aproveitar, preparando assim, uma ofensiva final.
Domingos Jorge Velho, continuou na peleja com os índios pelo menos até o final de 1689. Com efeito, em outubro, seu sargento-mor obtivera uma importante vitória sobre os bárbaros, que resulta na captura do principal janduí, Canindé.
A paz não foi uma conquista imediata. Alguns fatores conspiram a favor da instabilidade: negligência para com as tropas de Matias Cardoso; o atraso no pagamento dos soldos, que foi tratado apenas em 1693, deixando os soldados em desespero por causa da situação de desamparo que os desanimava. Corria-se desta forma o risco um motim desses soldados visto que já que a fazenda da capitania não dispunha mais de recursos para investir na guerra, sendo assim, os esforços de paz corriam sérios riscos.
Ainda em 1693, Matias Cardoso atacou os índios do Ceará, não alcançando muito êxito. Em 1695 estavam terminadas as atividades formais da Campanha dos paulistas.
Em 1694 João de Lencasto assumiu o Governo Geral na Bahia com o interesse de solucionar a Guerra dos Bárbaros. Em carta ao Capitão-mor do Rio Grande sugeriu para por fim às guerras que se procurasse a paz acima de tudo.
Na tentativa de arrefecer a rebelião dos tapuias fortaleceu-se a idéia de que era necessário o repovoamento co a ocupação perene das regiões fronteiriças. Para este feito as medidas foram tomadas. A determinação ordenava que em Açu, Jaguaribe e Piranhas se pudessem seis aldeias de índios. A importância dessa medida foi destacada por Lencastro de duas maneiras: de um lado a razão militar visto que essas aldeias amigas seriam importantes para a defesa das fronteiras; por outro lado o sistema econômico das lavouras açucareiras dependia do fluxo de animais de corte provindos desses sertões. Sendo assim, o cordão defensivo das aldeias, além do povoamento iria reconstruir a economia local e garantir a segurança.
Além dessa alternativa ganhava corpo outra que considerava a idéia de se chamar o terço Paulista para intervir já que tentar fazer as pazes com os tapuias era considerado um esforço de muito risco. Portanto, estavam postas na mesa duas saídas: a paz com os índios através do povoamento, ou a guerra continuada em bases militares.
A decisão tomada e aceita pelo rei em 10 de Março de 1695, foi de contratar o terço de paulistas, patrocinando-os e executando a lei de 1641 que possibilitava que esses "soldados" poderiam fazer os índios de cativos, no lucrativo comércio de escravos.
Os moradores do Rio Grande, associados à açucocracia de Pernambuco eram partidários de uma solução pacífica tendo como aliado o capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, que achava que "só por meio da paz podia haver quietação". Na visão do capitão-mor, o melhor a fazer era um presídio na Ribeira do Açu, e os cordões de aldeias para povoarem as fronteiras. Sua iniciativa era contrária àquela articulada na Bahia, indicando que o levaria a uma colisão com o terço dos paulistas.
Os argumentos de Bernardo Vieira de Melo não surtiram efeitos para coroa, que já puseram em marcha a máquina de guerra paulista, comandada pelo meste-de-campo Manuel Alvares de Morais Navarro, que distribuiu patentes a ele e a todo o terço que fizeram parte deste levante. Navarro e sua gente partiram para Bahia de onde o terço saiu em direção a Paraíba. Após oito meses (10 de maio de 1699) juntaram-se a esse terço os capitães Manuel da Mata Coutinho e Manuel de Siqueira Rondon, acompanhados de setenta soldados.
As tensões permaneceram até que as pazes foram sendo tecidas pouco a pouco e o trabalho de sedentarização dos índios foi sendo orquestrado pela Coroa.

REFERÊNCIAS:

MACÊDO, M. História e espaço seridoenses entre os séculos XIX e XX. Mneme – Revista Virtual de Humanidades. CERES. Vol. 01, n.01. p.01-50. 2000.

PUNTONI, P. A Guerra do Açu. In: - A Guerra dos Bárbaros – povos indígenas e a colonização do sertão nordeste do Brasil, 1650-1720. S. Paulo, 1998.254p, Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP. (CAP. 04).

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A ilha da Páscoa

Por Rubem Alves


A Ilha de Páscoa está localizada no sul do Pacífico, em um local esquecido no meio do mar. Foi avistada por europeus em um domingo de Páscoa, em 1722. Ao contrário da maioria das ilhas daquela parte do mundo, o terreno não tinha grandes árvores e a grama era tão seca que, à distância, parecia areia. Os viajantes foram recebidos por uma comitiva de nativos em canoas frágeis e ao desembarcar ficaram surpreendidos com os grandes moais, gigantescas estátuas de pedra esculpidas na forma de rostos humanos, espalhadas pelo litoral, como se vigiassem o alto-mar.Ainda hoje a ilha é cercada por uma nuvem de mistério. A chave do mistério é revelada ao voltarmos à época da chegada dos primeiros polinésios, a cerca de 1400 anos. Vindos do oeste, os Rapanui encontraram um pequeno paraíso.Eram 166 quilômetros quadrados cobertos por uma densa floresta subtropical que crescia sobre o fértil solo de origem vulcânica. A fauna local permitia uma dieta muito rica para os moradores. Carne de golfinho, de foca e de 25 tipos de aves selvagens que eram assados com a lenha retirada da floresta. É o que mostram escavações arqueológicas em antigos sítios ocupados, graças a essa biodiversidade o número de habitantes aumentou bastante.Boa parte dos recursos locais era gasta na intensa produção e no transporte de estátuas. Para movê-las, dezenas de pessoas utilizavam cordas e uma espécie de trenó feito de palmeiras e arrastavam os moais por 14 quilômetros até o litoral. A partir de 1200, a produção entrou em um ritmo mais acelerado e que durou pelos 300 anos seguintes, sendo preciso cada vez mais madeira, cordas e alimentos. Por volta de 1400, a floresta já não existia e a última palmeira foi cortada, extinta com outras 21 espécies de plantas nativas. Assim, não havia mais madeira e cordas para o transporte de moais nem troncos resistentes para a construção de barcos para a pesca em alto-mar.Assim a pesca diminuiu. As colheitas também foram prejudicadas com o desmatamento e com o habitat devastado todas as espécies de aves foram extintas.Todos esses fatores causaram uma grave falta de alimentos e o número de habitantes foi reduzido a um décimo dos 20 mil que habitaram a ilha no seu auge. E sem comida, os Rapanui apelaram para o canibalismo. Em vez de ossos de pássaros ou de golfinhos, passou-se a encontrar ossos humanos nas escavações de moradias desse período. Muitos deles foram quebrados para se extrair o tutano.O canibalismo cometido pelos nativos serve como exemplo do que pode acontecer quando o meio ambiente é explorado até o limite e o seu equilíbrio é afetado: a civilização que depende de seus recursos é levada ao colapso. Ela se devora a si mesma, "canibalisticamente". E serve de lição para nossa geração que está vivendo as consequências do crescimento econômico, tal como aconteceu com os moradores da ilha de Páscoa. Eles viram a destruição da natureza que suas atividades estavam produzindo mas não tiveram a sabedoria de parar.Seremos nós construtores de moais? O crescimento econômico e o crescimento tecnológico não serão os fantásticos moais que estamos construindo?

Professor carrega policial ferido. O mundo bizarro de José Serra


Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.Inesquecível, Serra, inesquecível.

sexta-feira, 26 de março de 2010

PROVA PARA O SENADO (Brincadeirinha)




Veja se você conseguiria aprovação para concorrer a uma vaga de assessor de Deputado. As questões foram elaboradas a pedido do digníssimo atual Presidente da Câmara, para submeter seus parentes a uma prova, demonstrando que os mesmos têm capacidade para assumir os cargos que ocupam, e que essa história de nepotismo é pura inveja de quem não consegue arranjar uma boquinha...

1) Um grande presidente brasileiro foi Castelo _________
( ) Roxo ( ) Preto ( ) Branco ( ) Rosa choque ( ) Amarelo

2) Um líder chinês muito conhecido chamava-se
Mao-Tsé______ ( ) Tang ( ) Teng ( ) Ting ( ) Tong ( ) Tung

3) A principal avenida de Belo Horizonte chama-se Afonso_______
( ) Pelo ( ) Pentelho ( ) Penugem ( ) Pena ( ) Cabelo

4) O maior rio do Brasil chama-se Ama_________
( ) boates ( ) zonas ( ) cabarés ( ) relinho ( ) ciante

5) Quem descobriu a rota marítima para as Índias foi __________
( ) Volta Redonda ( ) Fluminense ( ) Flamengo ( ) Botafogo ( ) Vasco da Gama

6) A América foi descoberta por Cristóvão Co_______
( ) maminha ( ) picanha ( ) alcatra ( ) lombo ( ) carne do sol

7) Grande Bandeirante foi Borba _______
( ) Lebre ( ) Zebra ( ) Gato ( ) Veado ( ) Vaca

8) Quem escreveu ao Rei de Portugal sobre o descobrimento do Brasil foi Pero Vaz de ________
( ) Anda ( ) Para ( ) Corre ( ) Dispara ( ) Caminha

9) Um famoso ministro de Portugal foi o Marques de _________
( ) Galinheiro ( ) Puteiro ( ) Curral ( ) Pombal ( ) Chiqueiro

10) D. Pedro popularizou-se quando __________
( ) eliminou a concorrência ( ) decretou sua falência ( ) saturou a paciência ( ) proclamou a independência ( ) liberou a flatulência

sábado, 20 de março de 2010

QUESTÃO DE FILOSOFIA


Qual das alternativas abaixo melhor define o que é o Mito?

a) Uma visão coerente da realidade onde toda e qualquer explicação é realizada a partir do método científico.
b) Uma visão coerente da realidade onde toda e qualquer explicação é feita a partir dos livros sagrados.
c) Relato fantástico de tradição oral, tendo como tendo os livros sagrados de praticamente todas as religiões.
d) Relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres, sob forma simbólica, as forças da natureza e aspectos gerais da condição humana.
e) Relato fantástico de tradição oral que negam totalmente as lendas e as tradições de um povo.



RESP.: D

SÍNTESE – RESUMO - RESENHA




A síntese


Síntese significa sintetizar argumentações. Considera-se a síntese de uma obra, de um texto ou capítulo é uma análise mais resumida necessitando de um amplo conhecimento do assunto. Este termo, além do significado comum de unificação, organização ou composição, tem os seguintes significados específicos: • Atividade intelectual que recompõe a idéia central da obra analisada. • Unidade dialética dos opostos. Para desenvolver um bom trabalho de síntese é necessário ter um amplo conhecimento do tema e conhecer várias fundamentações teóricas sobre o assunto. A síntese segue o mesmo processo de elaboração do resumo: introdução, desenvolvimento, conclusão e referências bibliográficas.

O resumo


O resumo acadêmico tem vários objetivos, dentre eles o de estimular a leitura minuciosa, possibilitando que o aluno consiga uma assimilação completa de seu conteúdo. Pode-se resumir uma obra completa, um texto e/ou capítulo. O resumo de uma obra pode ser feito por meio de um esboço, seguindo o próprio sumário em questão. A melhor receita para fazer um resumo é seguir o critério do desenvolvimento de um texto: introdução, desenvolvimento e conclusão. Quando o aluno realiza o resumo de uma obra, estará seguindo o plano original do autor ou o próprio projeto levantado pelo autor, com isso o aluno estará desvendando, desde então, o objeto, o problema e os objetivos levantados pelo autor. O aluno ao resumir um texto com as próprias palavras deve manter-se fiel às idéias do autor em questão (SEVERINO, 2002; CARVALHO, 2003; HÜHNE, 2002). É importante lembrar que esse tipo de resumo diferencia-se do resumo técnico-científico. O resumo técnico-científico, segundo Severino (2002), consiste na apresentação concisa do conteúdo de um trabalho de cunho científico (livro, artigo, dissertação, tese etc.) e tem a finalidade específica de passar ao leitor uma idéia completa do teor do documento analisado. Esse tipo de resumo, geralmente, é solicitado para publicação ou apresentação em eventos culturais etc. nesse sentido, o resumo deve ser redigido em um só parágrafo, com o máximo de 200 a 250 palavras e deverá conter introdução, desenvolvimento e conclusão. Este tipo de trabalho se centra na extração das idéias básicas do(s) autor (es) informando qual a natureza do trabalho, indicando o objeto tratado, os objetivos visados, as referências teóricas de apoio, os procedimentos metodológicos adotados e as conclusões/os resultados a que se chegaram.

A resenha


A resenha possibilita compreender a obra do teórico estudado com maior profundidade, tendo assim um papel importante na vida acadêmica. Segundo SEVERINO (2003 p. 131-132):
Resenha ou análise bibliográfica é uma síntese ou um comentário dos livros publicados ou feitos em revistas especializadas de várias áreas da ciência, das artes ou da filosofia. Uma resenha pode ser puramente informativa quando apenas expõe o conteúdo do texto; é crítica quando se manifesta sobre o valor e o alcance do texto. (p. 131-132)
O aluno analisa este conteúdo expondo e construindo comentários sobre o texto estudado. Neste panorama, o procedimento de uma resenha torna-se distinta a de um resumo, pois o resenhista pode expor suas idéias coincidentes ou não com as idéias que o autor apresentou. Para o autor “o comentário é normalmente feito como último momento da resenha, após a exposição do conteúdo. Mas, pode ser distribuído difusamente, junto com os momentos anteriores: expões-se e comenta-se simultaneamente as idéias do autor” (SEVERINO, 2002, p. 132). A elaboração de uma resenha crítica requer certa madureza intelectual, o domínio de métodos de investigação ou um amplo conhecimento do tema em questão. Pois não se faz crítica sem fundamentação.

sábado, 13 de março de 2010

Questão de História


INSTRUÇÃO: Responder à questão abaixo considerando as seguintes afirmativas sobre o expansionismo colonial português em direção ao sul do continente americano, em fins do século XVII.

I. A fundação da Colônia de Sacramento em 1680, às margens do rio da Prata, tinha como principal objetivo ampliar o domínio territorial português, tornando mais fácil o envio de produtos brasileiros para o mercado portenho, bem como permitir o acesso de Portugal às regiões mineradoras hispano-americanas, através de Buenos Aires.
II. O rompimento do Tratado de Tordesilhas, devido à expansão territorial portuguesa, atendia diretamente aos interesses militares e estratégicos de Portugal em sua política colonizadora, bem como aos interesses comerciais dos produtores gaúchos, beneficiados na concorrência com a carne platina.
III. A Colônia de Sacramento favoreceu o desenvolvimento de um intenso contrabando de produtos anglo-portugueses para o mercado platino, rompendo o monopólio espanhol, o que levou a uma série de conflitos entre as metrópoles ibéricas.
IV. O rompimento do Tratado de Tordesilhas deu-se através de um acordo entre as Coroas ibéricas, firmando-se um novo Tratado, o de Madri, que estabelecia a troca da Colônia de Sacramento pelos Sete Povos das Missões, atendendo a interesses mútuos de Portugal e Espanha.

A análise das afirmativas permite concluir que está correta a alternativa

a) I e II
b) I e III
c) II e IV
d) II e III
e) III e IV


Resp.: B

Desvendar o mito por trás da polêmica das cotas raciais


Luciana Araujo - Revista Caros Amigos

O Supremo Tribunal Federal reacendeu a discussão sobre a justeza da reserva de vagas nas universidades brasileiras para estudantes negros, afrodescendentes ou indígenas - as chamadas cotas raciais – ao realizar, na primeira semana deste mês, audiência pública prévia ao julgamento da ação impetrada pelo DEM contra a Universidade de Brasília. O evento serviu ao menos para por a nu as reais motivações e objetivos dos DEMOcratas (ex-Arena e ex-PFL). Especialmente esclarecedora foi a declaração do senador Demóstenes Torres, digna de um senhor de engenho. Para ele, as políticas de reparação não se justificam porque a “exportação” de pessoas para o mercado negreiro teria incentivado a economia africana – logo a escravidão seria responsabilidade dos negros. O senador goiano foi além e acusou as mulheres escravizadas de serem coniventes e permissivas com os estupros sofridos. A advogada dos DEMOcratas, Roberta Kauffmann, ex-pupila do presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes – que foi seu orientador durante o mestrado sobre as políticas afirmativas na universidade brasileira - alegou ainda que não se pode estabelecer um processo de “racialização do país, com a segregação de direitos com base na cor da pele”. A postura dos dois senhores acima mencionados evidencia o grau de reacionarismo e o forte racismo ainda arraigado na sociedade brasileira. É o que explica porque, mais de um século após o 13 de maio de 1888, no Brasil ainda se contrata pessoas pelo critério da “boa aparência”. Ou porque os negros recebem até 90% menos que os trabalhadores brancos para desenvolver a mesma função e são 73% dos 10% mais pobres do país. Ou, ainda, porque um jovem negro em nosso país tem quatro vezes mais chances de morrer assassinado que um menino branco. E porque nas universidades públicas brasileiras apenas 23% dos estudantes são negros (na USP, esse percentual cai para 2%). Os dados jogam por terra o mito da “democracia racial”. Basta voltar os olhos para as favelas e periferias de nosso país – carentes de quaisquer políticas de garantia de infra-estrutura e onde o único braço do Estado que chega é o da repressão - para perceber que a pobreza no Brasil tem cor. Essa realidade é resultado dos 358 anos de regime escravocrata no país e pela forma como se deu a abolição até hoje inconclusa. No longínquo 13 de maio, milhares de homens, mulheres, jovens e crianças foram jogados à própria sorte como se o Estado não tivesse nenhuma responsabilidade pelo fato deles terem sido seqüestrados de sua terra natal e mantidos confinados como animais durante quase meio século. O descompromisso histórico do Estado brasileiro com os negros e as negras no país é também uma forma de perpetuação do preconceito e do racismo. Desde os tempos do regime escravista, direitos básicos são negados aos negros – assim como aos indígenas – em nosso país. É responsabilidade desse Estado reparar a distinção incentivada e patrocinada pelas instituições que fundaram as bases sócio-econômicas e políticas de nosso país. As ações afirmativas por si só não asseguram o fim da descriminação racial, mas são um elemento concreto de reconhecimento da responsabilidade do Estado pela realidade em que vivemos. O racismo continuará existindo enquanto vivermos sob a égide do capital – que a tudo mercantiliza e se utiliza da opressão, especialmente de gênero e etnia – para legitimar a propriedade e potencializar os lucros de uns poucos ao custo das vidas de milhares. É um subproduto e uma necessidade do capital. Mas essa realidade não anula o fato de que é devida a nós negros a reparação pela chaga escravista de quase quatro séculos da história brasileira. Enquanto isso não ocorrer, o “não racismo” nacional continuará reservando aos negros a triste representação recentemente exibida na novela ‘Viver a Vida’, da Rede Globo. Na trama, uma mulher negra até galgou o posto de protagonista, mas o enredo a fez submeter-se a ajoelhar diante de outra mulher, branca, para receber uma bofetada e ainda pedir desculpas. Não foi à toa também que o Estatuto da Igualdade Racial recentemente aprovado no Congresso Nacional foi mitigado, retirando-se do texto as reivindicações mais profundas dos movimentos sociais que lutam contra o racismo. E também não é uma coincidência que foram os mesmos DEMOcratas que pediram a instauração da CPMI no Congresso Nacional para criminalizar o MST. Esses são exemplos da ação organizada da burguesia brasileira, de uma elite branca e racista que controla o país e impõe, pela via da força quando necessário, sua visão de mundo. E, a julgar pela composição da mais alta corte do país – que ao longo de seus 120 anos de existência sempre atendeu aos anseios da elite que a instituiu – o processo de reparação pelos efeitos da escravidão está ameaçado de um novo retrocesso. É fundamental a ampliação deste debate para o conjunto da sociedade brasileira e a organização de uma grande campanha em defesa das cotas raciais, bem como para que sejam assegurados os investimentos necessários à ampliação de vagas nas instituições públicas de ensino superior, para efetivar o direito de ingresso de filhos da classe trabalhadora nas universidades brasileiras. As cotas não são uma benesse do Estado aos negros e indígenas, mas o início do pagamento de uma dívida que já dura 510 anos. Luciana Araujo é jornalista

quarta-feira, 10 de março de 2010

Questão de Sociologia


Devido à constante competitividade entre os diversos capitais, o processo produtivo está em constante transformação para extrair maior mais-valia. A necessidade de expansão do capital conduz a maiores níveis de exploração da classe operária, o que caracteriza a luta de classes. O dono do capital necessita, assim, exercer um maior controle sobre o trabalhador. Então se segue:

a) uma melhora qualitativa nos canais de comunicação entre o trabalhador e o empregador.

b) a abertura de um campo de negociação do trabalho e do desenvolvimento de novas tecnologias a serem aplicadas na produção.

c) o aprimoramento da organização do trabalho e o desenvolvimento de novas tecnologias a serem aplicadas na produção.

d) uma queda na produtividade do trabalho, pela retirada das máquinas do processo de produção, dando espaço ao aumento do número de empregos.

e) a subsunção do trabalho ao capital.


resp.: c

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O MITO DA CAVERNA



E agora, deixa-me mostrar, por meio de uma comparação, até que ponto nossa natureza humana vive banhada em luz ou mergulhada em sombras. Vê! Seres humanos vivendo em um abrigo subterrâneo, uma caverna, cuja boca se abre para a luz, que a atinge em toda a extensão. Aí sempre viveram , desde crianças, tendo as pernas e o pescoço acorrentados, de modo que não podem mover-se, e apenas vêem o que está à sua frente, uma vez que as correntes os impedem de virar a cabeça.
Acima e por trás deles, um fogo arde a certa distância e, entre o fogo e os prisioneiros, a uma altura mais elevada, passa um caminho. Se olhares be, verás uma parede baixa que se ergue ao longo desse caminho, como se fosse um anteparo que os animadores de marionetes usam para esconder-se enquanto exibem os bonecos.
[...] Pois esses seres são como nós. Vêem apenas suas próprias sombras, ou as sombras uns dos outros, que o fogo projeta na parede que lhes fica à frente."
Platão, República, Livro 7
Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário
Platão (c.428-348 a.C.) não achava que este era o melhor dos mundos. É uma espécie de prisão, escreveu ele, onde estamos trancafiados em escuridão e sombras. Mas além dessa prisão reside um brilhante e esperançoso mundo de verdades que ele chamou de idéias ou ideais, e é por isso que chamamos essa doutrina de idealismo.
Platão desenvolve suas doutrinas idealistas de forma notável na República, onde seu porta-voz, como de hábito, é seu mestre, Sócrates. (Desconhece-se até que ponto Sócrates realmente sustentava os pontos de vista de Platão.) Sócrates compara nosso mundo cotidiano a um "abrigo subterrâneo", uma caverna onde somos mantidos acorrentados. À nossa frente ergue-se uma parede e atrás de nós, uma fogueira. Incapazes de virar a cabeça, vemos somente as sombras projetadas na parede pelo fogo. Nada conhecendo além disso, naturalmente tomamos essas sombras por "realidade". Os seres humanos, nossos companheiros, assim como todos os objetos da caverna, para nós não passam de sombras; não têm, para nós, outra realidade além dessa.
Mas se pudéssemos nos libertar das correntes, se pudéssemos ao menos nos virar para a entrada da caverna, poderíamos constatar o nosso erro. A princípio, a luz direta nos seria dolorosa e perturbadora. Porém, logo nos adaptaríamos e começaríamos a perceber as pessoas e objetos reais, que só conhecíamos em forma de sombras. Mesmo assim, devido ao hábito, nos agarraríamos às sombras, ainda acreditando que elas fossem reais, e suas fontes, apenas ilusões. Mas se fossemos tirados da caverna para a luz, cedo ou tarde chegaríamos à visão correta das coisas e lamentaríamos nossa antiga ignorância.
A analogia de Platão é um ataque aos nossos hábitos de pensamento. Estamos acostumados, diz ele, a aceitar os objetos concretos que nos cercam como "reais". Mas eles não são. Ou melhor, eles são só cópias imperfeitas e menos "reais" de "formas" imutáveis e eternas. Essas formas, como Platão as define, são as realidades permanentes, ideais e originais a partir das quais (de alguma forma) são construídas cópias concretas imperfeitas e corruptíveis. Por exemplo, cada cadeira em nosso familiar mundo de objetos é meramente uma imitação, ou "sombra", da Cadeira Ideal. Cada escrivaninha é uma cópia da Escrivaninha Ideal, que nunca muda, que existe pela eternidade, e na qual você nunca pode derramar café.
Essas cadeiras e escrivaninhas ideais, segundo Platão, não são fantasias; elas são de fato mais "reais" que suas imitações materiais, porque são mais perfeitas e universais. Entretanto, como nossos sentidos corrompidos têm sido sempre enganados, nós somos cegos para o mundo dos ideiais. Nossas mentes estão escravizadas a imitações que nós, desta maneira, confundimos com a realidade. Somos prisioneiros em uma caverna filosófica.
"no mundo do conhecimento, a idéia do bem aparece por último e é percebida apenas com esforço; mas, quando percebida, torna-se claro que ela é a causa universal de tudo que é bom e belo, o criador da luz e o senhor do sol neste mundo visível."

GABARITO DO CFI - PS1 - APLICAÇÃO 26/02/2010





GABARITO DO 1 ANO

1 - B / 2 - B / 3 - A / 4 - V,V,F,F,V / 5 - B / 6 - D / 7 - ABERTA / 8 - E

GABARITO DO 2 ANO

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Enem muda perfil de feras



Alguma coisa acontece no#vestibular. O verso da música "Sampa", de Caetano Veloso, quando parafraseado, espelha bem a situação por que passa o processo seletivo da Universidade Federal de Pernambuco. Que o vestibular mudou, não há dúvidas. É só ter um olhar mais acurado para comprovar: o listão está de cara nova. A lista dos dez primeiros colocados, divulgada um pouco antes do carnaval, acirrou a disputa entre as áreas de humanas e exatas. E quem ganhou o round, desta vez, foi o time de humanas - uma situação inédita pela menos nos últimos oito anos. Seis (cinco deles de direito) figuraram lá na frente e, além disso, a primeira colocada, a estudante Bárbara Buril, foi de jornalismo. Medicina? Ninguém entre os 10 primeiros. Daí fica a pergunta: que furacão passou para varrer candidatos de cursos mais concorridos do mapa da liderança do vestibular mais importante do estado?
Reitor da UFPE, Amaro Lins, vai decidir se adere integralmente ao Enem Foto: Helder Tavares/DP DA PressA teoria mais provável entre professores é que o Enem tenha sido o elemento novo que revolucionou aforma de selecionar universitários. "Antigamente, a primeira fase do vestibular da UFPE era muito simples e os alunos de medicina tiravam as notas mais altas", recorda Eduardo Belo, diretor do Colégio Motivo, em Boa Viagem. "Então os primeiros colocados da primeira fase, que tinham um perfil de estudo mais conteudista, acabavam com um resultado geral melhor", teoriza. Belo lembra que a maior nota do Enem em Pernambuco foi 8,4. Ninguém tirou mais de nove, como era comum na década de 1990 pela Covest. "A nota caiu porque o Enem tem provas mais massudas, com mais questões. E, por isso, é mais cansativa", observou."Pensamento crítico" pesou? - O que poderia explicar a supremacia dos candidatos de humanas sobre os de saúde e humanas seria o novo formato do Enem, que valoriza aqueles candidatos que conseguem fazer correlação e interpretação crítica de fatos e dados. A questão é que o vestibular da Covest já fazia isso antes. Pelo menos dos anos 2000 para cá, a interdisciplinaridade em provas como a de história jáera bastante explorada. Porém, nos últimos três anos, os primeiros colocados foram de exatas. "Antes a 1ª fase tinha 80 questões em um único dia. E cobrava um perfil mais conteudista, decoreba. Os alunos de humanas foram favorecidos porque têm um nível de leitura do dia a dia maior", opinou o professor Eduardo Belo.Já o diretor do Colégio Boa Viagem, George Diniz, discorda. Para ele, essa visão de que os candidatos das áreas de saúde e exatas têm uma preparação mais esquemática não reflete a situação em geral. Diniz tem outra opinião sobre o revertério no vestibular. Ele acha que o que pesou mais foi o grau de dificuldade nas provas da 2ª fase. "Os testes de biologia e química estavam muito complexos. E isso afetou diretamente a nota dos candidatos de medicina", disse. Diniz, no entanto, não se arriscou em dizer se o vestibular continuará atípico nos próximos anos. "Não sabemos se a UFPE continuará com o Enem", justificou.O reitor Amaro Lins ainda não decidiu se manterá o Enem como substituto da 1ª fase ouse irá aderir ao Sistema de Seleção Unificada, o SisU, escolhido por 51 instituições até agora. Sem se referir a uma data, disse que em breve vai se reunir com o comitê de governança, em Brasília, e com representantes da Covest para chegar a um consenso. Amaro, porém, tranquilizou os feras dizendo que a preparação deve continuar focada no Enem.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Confraria dos Professores - 2010


The yes men: a arte de dizer não aos abusos corporativos




Para salvar os recentes fóruns oficiais do completo marasmo e seguirem desmascarando a lógica neoliberal de forma sarcástica, a dupla de ativistas do The Yes Men, Jacques Servin e Igor Vamos (codinomes Andy Bichlbaum e Mike Bonanno), agitou Copenhagen e deu o ar de sua graça em Davos.

Ao longo de mais de dez anos de militância, os Yes Men já ridicularizaram a Organização Mundial do Comércio; desmoralizaram a Exxon e a Halliburton; lançaram um plano habitacional para os desabrigados do furacão Katrina; produziram uma edição falsa do NYT; provocaram uma baixa nas ações da gigante Dow, dentre outras pérolas do ativismo contemporâneo.

No front ambientalista, o coletivo focou no Canadá, que ocupa uma das piores posições entre os países signatários do Protocolo de Quioto e aumentou em quase 30% suas emissões de gases causadores do efeito estufa em relação a níveis de 1990. Um dos motivos é a extração de petróleo das imensas areias betuminosas na província de Alberta — cada barril de betume produz três vezes mais gases-estufa que um barril de petróleo convencional.

Com o objetivo declarado de denunciar os desmandos da política ambiental canadense, uma coalizão formada pelo The Yes Men e pela Action Aid International, forjou, em nome do ministério do meio ambiente do Canadá, uma proposta radical de corte de 40% nas emissões de carbono abaixo dos níveis de 1990 até 2020, além de um aporte de 13 bilhões de dólares para ajudar os países africanos na redução de emissões dos gases de efeito estufa. Os releases da proposta, lançados durante uma coletiva na Cúpula do Clima em Copenhague vinham assinados e timbrados com a chancela do governo do Canadá.

Os efeitos, inclusive midiáticos, daquilo que poderia ter sido verdadeiro, mas que na realidade não foi nem sequer cogitado oficialmente, enfureceu o primeiro-ministro canadense Stephen Harper, mas ajudou a expor as reais prioridades dos países ricos presentes na COP15.
Da Dinamarca para os Alpes suíços. Enquanto a 40ª edição do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, se arrastava da mesma forma previsível e melancólica, apenas com mornas medidas de controle financeiro para salvar o sistema capitalista, a dupla dinâmica do The Yes Men criava um site paralelo do Fórum. Na verdade é uma página falsa do Fórum de Davos (we-forum.org), onde celebridades globais, como que por encanto, assumem discursos progressistas.

A Rainha Elizabeth, por exemplo, aparece no site dizendo estar empenhada “na erradicação dos padrões colonialistas que continuam ainda hoje, e que só pioraram sob o regime neoliberal”. O ex-presidente estadunidense Bill Clinton, a chanceler da Alemanha Ângela Merkel, dentre outros, fazem coro à monarca, graças às dublagens perfeitas implantadas sobre os vídeos oficiais fornecidos pelo próprio Fórum de Davos.


Todo cartunista e caricaturista sabe que o exagero nas formas ajuda a penetrar mais profundamente na matéria. Entretanto, os Yes Men acrescentam à tradicional caricatura um raro oportunismo jornalístico, potencializado por um uso particularmente criativo da internet.

Não se limitam a reagir diante do descalabro capitalista. Criam um novo fluxo midiático a partir de uma performance ativa que, via de regra, utiliza as próprias armas do inimigo. O objetivo das ações é operar uma espécie de correção da realidade. Foi assim em sua ação mais ousada.

O 20º aniversário do desastre de Bhopal, na Índia, tinha tudo para cair no esquecimento. Entretanto, uma ação midiativista reverteu a situação e recolocou em pauta o maior desastre ambiental da história. Um produtor da BBC World, pesquisando a catástrofe, entrou no site DowEthics.com e, sem prestar atenção ao seu conteúdo, mandou no dia 29 de novembro de 2004 um e-mail, solicitando uma entrevista sobre a posição da Dow diante da tragédia ocorrida em 1984. O detalhe é que DowEthics.com não é o site oficial da companhia, mas um trabalho de hacktivismo do The Yes Men, que ao receber o pedido da BBC, decidiu levá-lo a sério. O coletivo solicitou que fosse agendada uma entrevista num estúdio em Paris, onde um “porta-voz” da empresa daria uma entrevista.

Com o nome fictício de Jude Finisterra, o “porta-voz” (interpretado por Andy Bichlbaum) falou à BBC World durante oito minutos para um público potencial de 300 milhões de espectadores. Finisterra foi peremptório ao afirmar que a Dow Chemical finalmente aceitava a responsabilidade total pelo desastre de Bhopal e anunciou um fundo de 12 bilhões de dólares para indenizações às vítimas. "Resolvemos liquidar a Union Carbide, este pesadelo para o mundo e esta dor de cabeça para a Dow. Vamos usar os 12 bilhões de dólares (obtidos) para dar mais de 500 dólares por vítima, que é o que elas têm recebido", explicou Finisterra. A notícia se espalhou rapidamente e as ações da Dow caíram 3,4% na bolsa de Frankfurt e 5 centavos de dólar na bolsa de Nova York.

As ações do coletivo são financiadas por uma rede de simpatizantes do mundo todo e por produções da própria dupla, como os dois filmes: The Yes Men (2004) e The Yes Men concertam o mundo (2009) — vencedor do Panorama Audience Award do Festival de Cinema de Berlim, em 2009. Neste último, dirigido pela dupla em colaboração com Kurt Engfehr (editor do cineasta Michael Moore), os ativistas reflerem sobre os desdobramentos das próprias operações, além de mostrarem os bastidores das recentes atividades do grupo, que registra tudo em vídeo.

Em New Orleans, por exemplo, Andy Bichlbaum fingiu ser Rene Oswin, secretário-adjunto do Ministro da Habitação do ainda presidente George Bush. O falso secretário apresentou-se numa conferência transmitida ao vivo pela CNN, e afirmou que a Exxon e a Shell investiriam 60 milhões de dólares na reconstrução dos bairros atingidos pelo furacão Katrina. Depois de serem desmascarados, os Yes Men organizaram um churrasco para comemorar os “novos planos do Ministério”. A população foi convidada e a mídia local rotulou de cruel e perversa a ousadia do coletivo de “brincar com coisas sérias”. Patricia Thomas, desabrigada e antiga moradora do bairro Lafitte, saiu em defesa da performance em resposta a uma repórter de TV. “Eu respeito esta brincadeira porque é exatamente o que precisava ser feito para que eles se interessassem pela nossa situação. Se é necessário pregar uma peça para que isso aconteça, então está ótimo. Agora me deixe comer o churrasco”, concluiu Patricia, despachando a repórter ao som de uma banda de jazz.



Silvio Mieli é jornalista e professor universitário