quarta-feira, 6 de agosto de 2008

QUESTÃO DE HISTÓRIA DA SEMANA


"O espaço fechado e o calor do clima, a juntar ao número de pessoas que iam no barco, tão cheio que cada um de nós mal tinha espaço para se virar, quase nos sufocavam. Esta situação fazia-nos transpirar muito, e pouco depois o ar ficava impróprio para respirar, com uma série de cheiros repugnantes, e atingia os escravos como uma doença, da qual muitos morriam". Relato do escravo Olaudah Equiano. Apud ILIFFE, J., Os africanos. História dum continente. Lisboa, Terramar, 1999, p. 179. A respeito do tráfico negreiro, é correto afirmar:

a) Foi praticado exclusivamente pelos portugueses que obtiveram o direito de asiento, ou seja, direito ao fornecimento de escravos às plantações tropicais e às minas da América espanhola e anglo-saxã.

b) Tornou-se uma atividade extraordinariamente lucrativa e decisiva no processo de acumulação primitiva de capitais que levou ao surgimento da sociedade industrial.

c) Foi combatido pelos holandeses à época de sua instalação em Pernambuco, o que provocou a revolta da população luso-brasileira em meados do século XVII.

d) Tornou-se alvo de divergências entre dominicanos, que defendiam o tráfico e a escravidão dos africanos, e os jesuítas, contrários tanto ao tráfico quanto à escravidão.

e) O aperfeiçoamento do transporte registrado no século XIX visava diminuir a mortandade dos escravos durante a travessia do Atlântico, atenuava as críticas ao tráfico e ainda ampliava a margem de lucros.


Resposta: B

domingo, 13 de julho de 2008

TURISMO







18º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS




ESPLANADA GUADALAJARA

Dia 17/07 – QUINTA-FEIRA A partir das 21h
Sagração das Etnias Casa de Farinha ,Josildo Sá e Paulo Moura ,Alceu Valença

Dia 18/07 – SEXTA-FEIRA A partir das 21h
Banda Yuppie,Otto ,Zeca Baleiro (RJ) e Pitty (BA)

Dia 19/07 – SÁBADO A partir das 21h
Os Valvulados Junior Barreto e OrtinhoLobão (RJ) e Nação Zumbi

Dia 20/07 – DOMINGO A partir das 21h
Bernardo Alves, Trio Pouca Chinfra, Casuarina (RJ), Beth Carvalho (RJ)

Dia 21/07 – SEGUNDA-FEIRA A partir das 21h
Paulinho Leite e Forró Virado, Fim de Feira ,Gláucio Costa, Maciel Melo


Dia 22/07 – TERÇA-FEIRA A partir das 21h
Banda Quarto Crescente, Adilson Ramos, Reginaldo Rossi, Amado Batista (GO)

Dia 23/07 – QUARTA-FEIRA A partir das 21h
klayton Danata , MawacaSonidos de Santiago (Cuba), Luiz Melodia (RJ)

Dia 24/07 – QUINTA-FEIRAA partir das 21h
Muendas de PernambucoMourinha do ForróHomenagem a Dominguinhos com apresentação da OrquestraSinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música

Dia 25/07 – SEXTA-FEIRA A partir das 21h
Banda Flash, Trio Sotaque e André Rio Orquestra Popular da Bomba do Hemetário, Fernanda Katai

Dia 26/07 – SÁBADO A partir das 22h
Paulinho Groove, Ney Matogrosso (MS), Academia da BerlindaOrquestra Imperial (RJ)
PALCO POP - Parque Euclides Dourado A partir das 21h
Dia 18/07 – SEXTA-FEIRA
Neander,China,Cidadão Instigado

Dia 19/07 – SÁBADO
Gaiamalgama,Sérgio Cassiano,Azabumba

Dia 20/07 – DOMINGO
Pernamuamba,Sangue de Barro, Cascabulho

Dia 21/07 – SEGUNDA-FEIRA
Julia Says,Cinval Coco Grude ,

Dia 22/07 – TERÇA-FEIRA
Instinet Noise,SubversivosCarfax ,Devotos

Dia 23/07 – QUARTA-FEIRA
Coração di Nêgo,Hélio Mattos,Marcelo Santana

Dia 24/07 – QUINTA-FEIRA
Swiane,The Playboys,Volver

Dia 25/07 – SEXTA-FEIRA
Alexandre Revoredo,Dj Big e Banda,Zé Brown

Dia 26/07 – SÁBADO
Rogério e os Cabras,Amps & Lima,Eddie

PALCO INSTRUMENTAL - Parque Ruber Van Der Liden A partir das 18h

Dia 18/07 – SEXTA-FEIRA
Aldejan,Conjunto de Chimes da UFPE,Quarteto Egan

Dia 19/07 – SÁBADO
Roberto Lima,Fossil,Areia Projeto

Dia 20/07 – DOMINGO
Kleber Blues Band,O Quadro,Flávio Guimarães e Sérgio Chocolate

Dia 21/07 – SEGUNDA-FEIRA
Cipraneta Jazz,Marcel Power,Arabiano

Dia 22/07 – TERÇA-FEIRA
Choro Baião e Cia.,Travalíngua,Noise Viola

Dia 23/07 – QUARTA-FEIRA
Estação Brasil,Alex Corezzi,Sagrama

Dia 24/07 – QUINTA-FEIRA
Marcos Cabral,Grupo Ostinato,Gaspar Andrade

Dia 25/07 – SEXTA-FEIRA
Quarteto Fusion,Pianista Eudóxia de Barros,Cacau Santos e Banda

Dia 26/07 – SÁBADO
FarenheiteS,oul Blues,Uptown Band

terça-feira, 8 de julho de 2008

QUESTÃO DE HISTÓRIA DA SEMANA


“Caminhando e cantando
e seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não”
Geraldo Vandré

O ano de 1968 foi bastante rico para a história da juventude de muitos países. Maio de 68. A Primavera de Praga. No Brasil, a canção ‘Para não dizer que não falei das flo­res” era entoada em marchas, passeatas e atos públicos. Ao final do ano, contudo, o tem­po fechou. O regime político também!

Sobre o período 1968-74 NÃO é correto afir­mar:

a) Durante o Governo Médici, a ordem instituci­onal coexiste com a constitucional, tendo o regime militar reduzido os poderes do Con­gresso e tornado indiretas as eleições para governadores em 1970.
b) E assinado o Ato Institucional n0 5, em 13/ 12/68, como resposta direta à não-autoriza­ção, pelo Congresso, para que o Deputado Márcio Moreira Alves fosse processado.
e) Há um crescimento econômico acelerado promovido por um sistema de câmbio flexí­vel e por crescente endividamento externo.
d) Ao final do período 1968-74, tem início o pro­cesso de abertura política, que é consolida­do pelo Governo Geisel com a política de dis­tensão.
e) O modelo econômico adotado permitiu uma excessiva concetração da riqueza e da ren­da e uma crescente perda do poder de com­pra dos salários.

Tecnologia de Pobre


O SURGIMENTO DO ANARQUISMO



Após maio de 68 e a queda do muro de Berlim, o anarquismo ressurgiu no cenário político. Entretanto, existiu uma tendência a resgatar mais alguns elementos do anarquismo do que o anarquismo enquanto corrente revolucionária que apresentava um projeto de sociedade e um conjunto de estratégias e táticas para alcançá-lo. O anarquismo retornou, para muitos, como sendo apenas um comportamento individual e cultural. Por isso, pretendemos, neste texto, resgatar a história do anarquismo classista e militante do séc.XIX, avaliando o que dele nos serve na atual conjuntura e o que consideramos ultrapassado. O anarquismo surgiu na Europa do séc. XIX em um período de ascensão do movimento operário. Podemos demarcar este período como indo da década de 40 à década de 70. Este foi um período de crise econômica do capitalismo europeu que se iniciou com a grande depressão industrial de 1840. A fome e o desemprego pelo continente aterrorizaram ainda mais a vida sofrida da classe trabalhadora. Junto com
a depressão, a Europa apresentava um ambiente de intensa agitação. Insurreições, motins, revoltas, estavam presentes durante todo este período, fazendo com que a revolução estivesse à ordem do dia. O anarquismo, neste contexto, não surgiu como fruto das reflexões individuais de um gênio isolado. Pelo contrário, ele surgiu como uma expressão da organização e luta dos trabalhadores da época. Foi um método criado no bojo da luta proletária que indicava objetivos, estratégias e táticas para a libertação da classe explorada e construção de uma sociedade justa e igualitária.

O primeiro homem a reivindicar para si a definição de anarquista foi o trabalhador francês Joseph Proudhon. Ele reivindicou o termo porque seu método de transformação da sociedade incluía a construção de uma sociedade igualitária e livre que só seria possível com a eliminação do Estado e a construção de uma organização política igualitária, organizada não de cima pra baixo, pela imposição de uma cúpula no poder, mas de baixo pra cima, partindo de cada trabalhador. Este tipo de organização política Proudhon chamou de Federalismo. Entretanto, a estratégia de Proudhon era baseada em uma concepção de transformação gradual da sociedade. Ele tinha esperança no avanço rumo ao socialismo sem uma ruptura insurrecional. Lembremos o que ele mesmo disse em uma carta a Marx: “(...) nós não devemos, de forma alguma, colocar a ação revolucionária como meio de reforma social, porque esse pretendido meio seria simplesmente um apelo à força, ao arbítrio; em suma, uma contradição.”. Assim, Proudhon
discordava de uma estratégia revolucionária insurrecional para a destruição do capitalismo. Preferia uma tática reformista, através da construção de organismos econômicos no interior desta sociedade, que, gradualmente, iriam tomando o lugar do capital. Os proudhonianos ou mutualistas, como também eram chamados, tiveram grande importância no movimento operário do séc. XIX. A maior parte dos fundadores da Associação Internacional dos Trabalhadores pertencia a esta corrente libertária. Entretanto, os mutualistas nunca construíram uma organização política, isto é, uma organização especificamente anarquista. Preferiam, pelo contrário, atuarem somente em associações de trabalhadores e criarem bancos de créditos coletivos que pudessem pouco a pouco substituir a lógica do capitalismo.

Assim, a primeira forma revolucionária e política dos anarquistas surgiu não com os proudhonianos, mas com os coletivistas ou bakuninistas e teve seu formato concreto na criação da Aliança da Democracia Socialista, organização especificamente anarquista que atuava no interior da Associação Internacional dos Trabalhadores.

O objetivo finalista dos coletivistas, em linhas gerais, consistia em alcançar uma sociedade socialista e federalista. Por socialismo entendiam ser necessário a socialização da propriedade, isto é, eliminar a propriedade privada dos meios de produção. Eliminar a idéia de que o mundo devia ser dividido em burguesia (classe que detém os meios de produção, as fábricas, as terras e os instrumentos de trabalho) e proletariado (classe que nada tinham a não ser a sua prole e a força de trabalho que vendia para a burguesia em troca da sobrevivência). Assim, somente tornando coletiva a propriedade das fábricas, das terras e dos instrumentos de trabalho é que o proletário poderia ser livre e ter os meios reais para satisfazerem suas necessidades sem serem explorados. Por federalismo, a Aliança da Democracia Socialista entendia a eliminação do Estado e a construção de uma nova forma de organização da sociedade, uma forma igualitária, vinda de baixo para cima, através da decisão coletiva dos
trabalhadores, sem a imposição de um grupo no poder. Os coletivistas opunham, desta forma, ao Estado o Federalismo. Não se trata de destruir o Estado e esperar que o povo se organize espontaneamente, como muitos pensam que o anarquismo é, mas, destruir o Estado substituindo-o por uma organização proletária, construída desde baixo pelo próprio povo explorado.

Os anarquistas se diferenciavam, assim, dos marxistas que queriam construir uma ditadura do proletariado, que queriam tomar o poder e construir um Estado revolucionário. Bakunin, por exemplo, dizia que se mantivéssemos uma estrutura de Estado na nova sociedade, este Estado “(...) não conseguiria existir um único dia sem ter pelo menos uma classe privilegiada: a burocracia.” Esta classe dominante que se formaria através do Estado escravizaria novamente o proletariado. Desta forma, era preciso acabar com a propriedade privada e com o Estado e construir o socialismo e o Federalismo. Entretanto, como poderíamos chegar até o socialismo federalista? Como chegar a esta sociedade livre e igualitária? Para os coletivistas, o único meio era a revolução social protagonizada pelas massas proletárias (1) e camponesas. Deveriam ser as próprias classes exploradas pelo sistema capitalista, o próprio povo pobre miserável, que deveriam organizados em suas lutas fazer uma revolução e, destruindo a força repressiva da burguesia, construir o socialismo e a liberdade. Seguiam assim o lema da Associação Internacional dos Trabalhadores: “A emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores”.. Nenhum partido, nenhuma vanguarda iluminada, ninguém poderia fazer a revolução para o povo. Essa revolução deveria ser violenta, pois a burguesia não abriria mão de suas propriedades de graça, e seria necessário que o povo explorado estivesse organizado e disposto a guerrear contra seus exploradores.

Esta era portanto a estratégia permanente anarquista, fazer uma revolução social protagonizada pelas classes exploradas. Entretanto, como fazer isto se o proletariado estava afundado na ignorância, na incapacidade de compreender o capitalismo, em condições de trabalho miseráveis que lhe impossibilitavam pensar uma sociedade futura? Quais eram as variáveis estratégicas e táticas dos anarquistas para chegarem a uma revolução social protagonizada pelas classes exploradas? Este será um tema do nosso próximo número.



[1] Na Alemanha e na Suíça da época de Bakunin aparecia uma classe operária privilegiada por altos salários. Carregavam, segundo Bakunin, o instinto de propriedade que lhe fazia negar qualquer concepção revolucionária socialista. Ao contrário destes operários qualificados, Bakunin acreditava que a força da revolução estaria nos proletários esfarrapados, isto é, nos operários miseráveis, cujas condições de vida eram as mais baixas possíveis. Eram os proletários esfarrapados que, distantes do instinto de propriedade, carregavam o espírito da revolução. Este foi um conflito entre os anarquistas e os marxistas, que depositavam a sua força no operariado dos países mais modernos.

QUESTÃO DE SOCIOLOGIA DA SEMANA



“Vocês estão horrorizados com a nossa intenção de acabar com a propriedade privada. Mas, na sua sociedade, a propriedade privada já acabou para nove décimos da população. A sua existência para os poucos deve-se simplesmente à sua não-existência para estes nove décimos.”
(Marx e Engels).
O texto citado pertence ao Manifesto Comunista de 1848, que tanta polêmica causou por suas críticas à sociedade capitalista. Em suas críticas, Marx e Engels propunham:
a) o fim imediato do capitalismo, com a introdução da igualdade social; a liberdade democrática; a manutenção das classes sociais hierarquizadas.
b) uma revolução política, com a construção do Estado Socialista, segundo princípios anarquistas de cooperação, entre as classes sociais e a liderança do Partido Comunista.
c) uma reforma do capitalismo, com a diminuição dos poderes da burguesia; a ascensão política da classe operária; a instauração de uma democracia pluripartidária.
d) a destruição do capitalismo; a instalação de uma social-democracia, que descentralizaria o poder político e enfraqueceria o poder da burguesia.
e) uma revolução proletária, que garantisse mudanças radicais na sociedade; a construção de uma sociedade com igualdade econômica e sem a propriedade privada dos meios de produção.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

QUESTÃO DE HISTÓRIA DA SEMANA


1. (MAPL) “Brasileiros! Salta aos olhos a negra perfídia, são patentes os reiterados perjúrios do imperador, e está conhecida nossa ilusão ou engano em adotarmos um sistema de governo defeituosos em sua origem, e mais defeituoso em suas partes componentes. (...) Brasileiros! Pequenas considerações só devem estorvar pequenas almas; o momento é este, salvemos a honra da pátria e a liberdade, soltando o grito festivo – Viva a Confederação do Equador! Manuel de Carvalho Pais de Andrade, presidente.” A dissolução da Assembléia Constituinte em 1824, por ordem de D. Pedro I, teve ampla repercussão em Pernambuco, tradicional região liberalista brasileira. Sobre a Constituição de 1824, responda:
a) O Poder Executivo era de uso exclusivo do imperador e foi exercido pelo imperador ao longo de toda a existência.
b) O voto era universal e secreto, desde que o eleitor fosse maior idade.
c) O espírito liberal dos seus artigos ,permitiu às camadas populares, o direito de elegerem os seus representantes.
d) A completa eliminação de fatores econômicos na organização do eleitorado brasileiro foi uma marca da primeira constituição brasileira.
e) O poder moderador pairava sobre todos os outros, exercido pelo imperador, competindo-lhe, entre outras atribuições, dissolver a Câmara dos Deputados e convocar novas eleições.

terça-feira, 24 de junho de 2008

História da Imigração Japonesa no Brasil


A imigração japonesa no Brasil tem como marco inicial a chegada do navio Kasato Maru, em Santos, no dia 18 de junho de 1908. Do porto de Kobe a embarcação trouxe, numa viagem de 52 dias, os 781 primeiros imigrantes vinculados ao acordo imigratório estabelecido entre Brasil e Japão, além de 12 passageiros independentes.Recém chegados a um país de idioma, costumes, clima e tradição completamente diferentes, os imigrantes pioneiros trouxeram consigo esperança e sonhos de prosperidade. Os 781 japoneses recém-chegados foram distribuídos em seis fazendas paulistas. Enfrentaram, porém, um duro período de adaptação. O grupo contratado pela Companhia Agrícola Fazenda Dumont, por exemplo, não permaneceu ali mais que dois meses. As outras fazendas também foram sendo gradativamente abandonadas pelos exóticos trabalhadores de olhos puxados e costumes tão diferentes. Em setembro de 1909, restavam apenas 191 imigrantes nas fazendas que os contratara. Não obstante, no ano seguinte, a segunda leva de imigrantes já estava a caminho. E no dia 28 de junho de 1910, o navio Ryojun Maru aportava em Santos com mais 906 trabalhadores a bordo. Distribuídos por outras fazendas, eles viveriam os mesmos problemas de adaptação dos compatriotas que os antecederam. Aos poucos, porém, os conflitos foram diminuindo e a permanência nos locais de trabalho, mais duradoura. Em 1914, o número de trabalhadores japoneses no Estado de São Paulo já estava em torno de 10 mil pessoas. Com uma situação financeira desfavorável, o governo estadual decidiu proibir novas contratações de imigrantes e, em março, avisou à Companhia da Imigração que não mais subsidiaria o pagamento de passagens do Japão para o Brasil.

Os anos 60 foram marcados, em muitos aspectos, pela integração dos nikkeis à sociedade brasileira. Além da participação ativa na vida política por meio de seus representantes nas casas legislativas, os nikkeis começaram a despontar nas áreas culturais, notadamente na grande imprensa - liderados por Hideo Onaga, na Folha de S. Paulo -, e nas artes plásticas, com destaque para Manabu Mabe. Neste mesmo período, durante o governo Costa e Silva, também é nomeado o Primeiro-Ministro descendente de japoneses, o empresário Fábio Yassuda, que assumiu o cargo de Ministro da Indústria e Comércio, sem, no entanto, cumprir integralmente sua gestão. No futuro, dois outros seriam chamados a assumir cargos equivalentes: Shigeaki Ueki, como Ministro de Minas e Energia do Governo Geisel, e Seigo Tsuzuki, como Ministro da Saúde do Governo Sarney. Outro marco importante de 1964 foi a inauguração da sede da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistencial Social (Bunkyo) na rua São Joaquim, no bairro da Liberdade. O Bunkyo passou a promover e coordenar a maioria dos grandes eventos com envolvimento da comunidade nipo-brasileira como um todo: aniversários da imigração, visitas ao Brasil de membros da Família Imperial etc. A partir da década de 70 começaram a surgir as primeiras obras literárias escritas por nikkeis, tendo como temas o Japão e os imigrantes, entre eles: “Japão Passado e Presente” (1978) e “História dos Samurais” (1982), ambas de José Yamashiro, além da obra considerada referência obrigatória dentro da história da imigração japonesa, o livro “O Imigrante Japonês” (1987), de Tomoo Handa. Em 1988, no 80º aniversário da imigração, comemorado com a presença do príncipe Aya, filho de Akihito, o Censo Demográfico da Comunidade, feito por amostragem, estimava o número de nikkeis no País em 1.228.000 pessoas. Nesse final de década, a comunidade nipo-brasileira e o próprio país já começaram a sentir os efeitos de um novo e curioso fenômeno que se alastrava rapidamente entre as famílias nikkeis: os dekasseguis.

sábado, 21 de junho de 2008

A CAIXA DO XUMBERGAS ( Conjuração do "Nosso Pai")


João Bosco Pinheiro Barreto (prof. de história e meu amigo de longas datas)

A carta de André Pires Barbosa a El Rei de Portugal [1] só pode ser compreendida se retornarmos aos fatos que agitaram a capitania de Pernambuco em 1666. No ano, cuja cifra era o “famigerado” número da besta, podia-se esperar todo tipo de acontecimento, especialmente os inéditos e impensáveis. Foi naquele 666, no final do agourento agosto, que se deu a cômica desventura de Jerônimo de Mendonça Furtado.

Governador de Pernambuco desde 1664, o infeliz Jerônimo devia ter sido uma figura se não engraçada pelo menos pitoresca. Os chargistas de hoje em dia teriam nele um ótimo mote para piadas. Usava bigodes tufados, imitando um tal general Shomberg e, por isso, foi logo alcunhado de Xumbergas, palavrinha engraçada que virou verbo, xumbregar, cujo sentido inicial era “encher a cara” de cachaça, mas que depois passa ser usado também para indicar uma ação licenciosa, como bolinação consentida.

O dito governador não fez muita coisa em contrário aos seus antecessores e sucessores. Ele soube fazer uso do cargo para aumentar seu patrimônio pessoal, foi arrogante, fez inimigos, roubou do povo, dos senhores e do rei, ou seja, tudo conforme o figurino. Foi através de uma leitura dos fatos focada nos desmandos da gestão de Jerônimo de Mendonça e na conseqüente insatisfação dos seus governados, que a historiografia tradicional optou explicar sua deposição e deportação para Lisboa como a concretização de um plano conspiratório da elite local. Todavia, como bem esclarece Evaldo Cabral de Mello,[2] a queda do Xumbergas teve o dedo de gente mais poderosa, no caso, o governador geral na Bahia e vice-rei, o conde de Óbidos. Com este Jerônimo teve vários atritos, sendo o mais emblemáticos o episódio em que o Xumbergas não achando pouco o ato de recusar–se dá posse a um corregedor nomeado pelo governador geral, prendeu o dito corregedor, deportou-o de volta a Bahia e nomeou para o cargo um protegido seu.

Mas foram os oficiais da câmara de Olinda, mancomunados com o vigário de São Pedro Mártir que executaram o plano de captura do Xumbergas. Fizeram uma procissão do viático, talvez simulada, que, segundo o costume da época, deveria ser seguida pelos transeuntes. Era um tipo de cortejo religioso que saia da igreja para a casa de algum moribundo que aguardava a extrema unção e terminava ao retornar a igreja. Os conjurados elaboraram o percurso da procissão de modo a que esta passasse em frente da casa do governador no horário em que esse fazia sua caminhada habitual nas proximidades do palácio da governança. Deu certo. Jerônimo seguiu o séqüito feito um patinho inocente e, no retorno, recebeu voz de prisão “em nome do rei” pela boca do Juiz André de Barros. De imediato, tentou reagir, mas não teve outra opção a não ser capitular. Na mesma noite foi prisioneiro para o Forte do Brum e depois mandado de volta para Lisboa.

Em Portugal, Jerônimo ainda articulou-se e fez petição ao rei para voltar ao Brasil. Seus apelos nunca foram atendidos. Também não houve punição aos que lhe deportaram. A passividade da coroa diante dessa afronta a um alto funcionário de sua majestade é um elemento a mais para alimentar as conjecturas de que a trama conspiratória ultrapassou os limites da capitania pernambucana.

A carta de André Barbosa faz alusão a uma caixa. É um mistério, um enigma. Muito provavelmente eram os livros contábeis de Jerônimo de Mendonça que estavam contidos nela ou mesmo outros documentos de Estado, talvez comprometedores. Mas pela avidez do rei em nela por mão, deve ser coisa que trate de dinheiro, como listas de arrecadação de impostos e coisas do gênero. De posse de tais papéis, talvez se fosse possível dissipar dúvidas a respeito das muitas atitudes suspeitosas do Xumbergas da verdadeira extensão dos prejuízos que este dera à Coroa. Mas como essa caixa não foi encontrada, ficou sobre ela, apenas, dúvida e suposições.

[1] Arquivo Histórico Ultramarino – Pernambuco. Caixa 6, fls 110
[2] MELO, Evaldo Cabral de. A Fronda dos Mazombos.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

CIÊNCIA BRASILEIRA


IMAGEM HISTÓRICA DA SEMANA


ALBERT ECKHOLT (Holandês que pintou o Brasil colonial)

QUESTÃO DE SOCIOLOGIA DA SEMANA

1. Qual das alternativas abaixo melhor explica o que é sociologia ?
a) A sociologia pretende ser uma busca e uma justificação racional dos princípios primeiros e universais das coisas, das ciências e dos valores, e uma reflexão sobre a origem e a validade das idéias e das concepções que o homem elabora sobre ele mesmo e sobre o que o cerca.
b) A sociologia estuda do ponto de vista das características biológicas e culturais dos diversos grupos em que se distribui o gênero humano, pesquisando com especial interesse exatamente as diferenças.
c) A sociologia é a ciência que estuda a natureza, causas e efeitos das relações que se estabelecem entre os indivíduos organizados em sociedade. Assim, o objeto da sociologia são as relações sociais, as transformações por que passam essas relações, como também as estruturas, instituições e costumes que têm origem nelas.
d) A sociologia é a ciência dos fenômenos psíquicos e do comportamento. Entende-se por comportamento uma estrutura vivencial interna que se manifesta na conduta.
e) A sociologia é o "estudo ou descrição dos povos". Essa ciência concentrou-se no estudo das raças e dos povos, de todos os pontos de vista, e sobretudo na comparação entre as culturas primitivas e as desenvolvidas, e se baseia quase inteiramente no trabalho de campo.

GABARITO DO SIMULADO DE HISTÓRIA (3 ANOS SALESIANO)


01 - E

02 - B

03 - C

04 - D

05 - A

06 - D

07 - B

08 - D

09 - A

10 - C

quarta-feira, 18 de junho de 2008

QUESTÃO DE HISTÓRIA DA SEMANA



1. (MAPL) Observe o texto do grande professor, poeta e cordelista Adelmo Vasconcelos.
“Che Guevara alcançou
O status de herói
Virou ícone da esquerda
É uma dor que não dói
Sua saga é uma passado
Que o tempo não corrói”

“Temos que endurecer
Mas sem perder a ternura
Na vida, no dia-a-dia
Na mais ardente aventura
Ter a alma preservada
Quando for pra sepultura”

O texto fala de um dos mais importantes agentes históricos do século XX. Sobre a revolução cubana que o argentino Ernesto Guevara de La Serna participou, responda:

a) Fulgêncio Batista e Che foram aliados com uma tendência nacionalista. Trataram de consolidar seu regime mediante manobras que lhe deram aparência de legalidade. Ainda assim, o regime ganhou cada vez mais opositores e manifestaram-se diversos movimentos revolucionários, mesmo dentro das forças armadas.
b) O jovem advogado Fidel Castro, que tentara sem êxito tomar o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba (1953), logrou estabelecer um núcleo guerrilheiro em Sierra Maestra (1956) e células ativistas nas cidades que, junto com outros movimentos, provocaram a queda do regime de Batista em 31 de dezembro de 1958.
c) A administração republicana começou com o governo de Tomás Estrada Palma, primeiro presidente de Cuba independente, notável por sua honradez e seu interesse pela educação pública e aliado incondicional de Che e de Fidel.
d) A privatização dos investimentos e das propriedades do Estado, elevaram-se a centenas de milhões de dólares, provocou uma série de medidas por parte do governo americano, como o apoio à tentativa de invasão de abril de 1961 na baía dos Porcos, o bloqueio comercial e o fomento de diversas conspirações para derrotar os revolucionários.
e) As pressões do governo russo contra o regime de Fidel Castro em todos os foros internacionais conseguiram, em janeiro de 1962, que o país fosse expulso da Organização dos Estados Americanos (OEA), sob a alegação de incompatibilidade entre sua orientação socialista e os objetivos da entidade.